domingo, 22 de novembro de 2009

A editoria Internacional

O acidente que matou a princesa Diana, em 1996, é um exemplo de notícia que se encaixa no critério de tragédia inesperada, e que pode ser classificado como notícia internacional.



A editoria Internacional no Estado de S. Paulo existe desde que o jornal foi criado, em 1875. Fabbri (2002) cita as principais manchetes que o jornal apresentou em sua trajetória e se pode destacar que várias delas foram de notícias referentes à editoria Internacional. De 76 manchetes listadas pelo autor, 40 são de Internacional. Já no livro Páginas da História: uma coletânea das primeiras páginas do Estado nos seus 125 anos de história (2000), 45% das manchetes são de internacional, por exemplo, “A bolsa de Nova York registrou hontem um formidável desastre financeiro”, em 25 de outubro de 1929 e “Começou a guerra na Europa”, em primeiro de setembro de 1939. Sendo assim, pode-se afirmar que a editoria Internacional sempre teve grande relevância dentro do jornal.



Capa do jornal que noticiou o crash da bolsa de Nova York, em 1929



Capa do jornal de 1939, que noticiou o início da Segunda Guerra Mundial


Há diferenças entre o jornalismo internacional produzido no início do século passado e o que foi produzido a partir do final do século XX e é até hoje. Segundo dados concedidos por José Eduardo Barella, editor de Internacional do Estadão, nos momentos iniciais do jornal, sobretudo antes das redações serem informatizadas, o correspondente executava um trabalho muito importante, já que ele tinha acesso a informações que um redator da sede não tinha. Com o advento das redes informatizadas e da Internet, o correspondente passou a desempenhar uma função complementar: ele não traz mais o hardnews básico, mas sim um complemento, por exemplo, uma entrevista exclusiva. Além disso, o editor ressalta que nos primeiros momentos a cobertura diária era feita por correspondentes e enviados fixos em países de Primeiro Mundo e atualmente essa cobertura é mais participativa, já que os redatores e repórteres têm a possibilidade de entrevistar fontes do exterior por e-mail e as empresas investem mais em viagens para cobertura de eventos internacionais, sobretudo na América Latina.
A estrutura interna da editoria no jornal O Estado de S. Paulo é composta por um editor, um subeditor e dois editores assistentes. Além desse grupo, que é responsável por fechar as matérias e decidir quais serão publicadas, há o chefe de reportagem, que define as pautas do dia, tanto para os redatores locais quanto para os correspondentes. Os redatores ou repórteres são cinco e cada um fica responsável por cobrir uma região do mundo. Há ainda um plantonista, que chega às 17h e permanece até à 1h, atualizando o material produzido pela equipe. O jornal possui correspondentes em Washington, Nova York, Paris (lá, o jornal também mantém o articulista Gilles Lapouge), Genebra, Buenos Aires e Pequim.
O processo de produção das reportagens começa com a reunião de pauta. Conforme explicou Barella, às segundas feiras acontece uma reunião especial apenas entre a equipe da editoria, da qual participa também a editora de Internacional do portal, com o objetivo de definir as pautas que entrarão no jornal de domingo, que, segundo o editor, é a edição da semana que traz matérias mais aprofundadas. O chefe de reportagem também participa de uma reunião com os chefes de reportagem das outras editorias. Às 12h30 acontece uma reunião apenas entre os editores para consolidar as pautas que foram discutidas ao longo da manhã. Mais tarde, os editores se reúnem novamente para definir as manchetes que entrarão na primeira página da editoria.
Para produzir as reportagens, a editoria Internacional vale-se do material enviado por correspondentes e, principalmente, das informações que chegam das agências de notícias. O Estadão recebe material da Reuters, da AP, da AFP e da EFE. Barella afirma que a agência a qual o jornal atribui maior confiabilidade é a Reuters.
A editoria Internacional do jornal impresso O Estado de S. Paulo geralmente possui de três a quatro páginas. A exceção acontece aos domingos, quando a editoria chega a ter sete páginas. Nesse dia da semana, as reportagens são maiores e mais aprofundadas. Além das reportagens, a editoria também possui as seções No Mundo e + , as quais trazem pequenas notícias que não valeram reportagens mas que merecem ser publicadas. Há também textos de articulistas e artigos de opinião retirados de jornais estrangeiros como The New York Times e The Guardian. Como uma tentativa de integrar o conteúdo impresso e o conteúdo da web, há sempre indicação de complementos de determinada reportagem na web. Uma outra proposta nesse sentido, citada por Barella, é a criação de um blog específico da editoria do impresso, Radar Global, que ainda está em fase de experimentação.
Na Internet, a editoria Internacional surgiu no final dos anos 1990, por meio de boletins BBS. Apenas em 2004, segundo Barella, com a modernização do estadao.com.br, é que a editoria Internacional surgiu no portal. A equipe de Internacional do portal é bem pequena e composta por apenas dois redatores, que são um editor e um estagiário. Um redator fica na parte da manhã e redige a maior parte do webnoticiário. Sua mesa fica situada ao lado da editoria Internacional do impresso, o que garante uma relação bem estreita entre as duas equipes. O segundo redator faz a cobertura vespertina. Assim como já foi comentado, um dos redatores participa da reunião de pauta da editoria no impresso às segundas feiras. De acordo com o que fica decidido, a equipe de Internacional do portal fica com a função de produzir gráficos, galerias de imagens e demais complementos para serem postados na web à medida que as reportagens especiais são publicadas no impresso, conforme explicou Talita Eredia, editora de Internacional do portal. Talita ainda afirma que para produzir as notícias postadas no portal, são aproveitados os materiais enviados pelos correspondentes do jornal O Estado de S. Paulo e dos correspondentes da Agência Estado (alocados Washington, Londres e Buenos Aires). A atualização das notícias da web é feita por um robô, quando são postados textos integrais das agências noticiosas. No entanto, segundo Talita, quando são notícias produzidas pelos redatores ou por correspondentes, as matérias são postadas manualmente na medida em que ficam prontas.
A editoria Internacional no estadao.com.br possui o mesmo layout das outras editorias no portal. A primeira manchete que se vê assim que a página de Internacional é acessada é da principal notícia do dia até aquele momento. Em tamanho um pouco menor, há, geralmente, mais seis manchetes. Ao lado e abaixo dessas manchetes sempre existe uma imagem, também de algum assunto de destaque. Há também o box Últimas Notícias, com links para notícias que são constantemente atualizadas. Há, ainda, chamadas para os blogs do estadao.com.br que abordam assuntos internacionais. E, bem ao final da página, localiza-se uma coluna horizontal com uma galeria de fotos, que direciona para a página do serviço Fotos, mas na página de Internacional estão reunidas só as imagens de assuntos da editoria. Ao acessar alguma notícia, o texto geralmente virá acompanhado de links que direcionam para notícias relacionadas, especiais, podcasts ou vídeos. A notícia também terá o espaço para comentários dos internautas e um espaço para que o usuário avalie a notícia, atribuindo-lhe uma nota de um a cinco. Todos os votos ficam contabilizados. Quando o texto foi retirado do jornal impresso, ele fica identificado como “Versão Impressa” e quando foi produzido pela equipe online ou postado automaticamente, fica identificado como “Online”.

A editoria Mundo


O acidente que matou a princesa Diana, em 1996, é um exemplo de notícia que se encaixa no critério de tragédia inesperada, e que pode ser classificado como notícia internacional.


A editoria internacional da Folha de S. Paulo é denominada Mundo e surgiu no mesmo ano da criação do jornal, em 1921. É importante ressaltar que no livro Folha de S. Paulo Primeira Página: Uma Viagem Pela História do Brasil e do Mundo nas 223 Mais Importantes Capas da Folha Desde 1921 (2006), 40% dessas principais capas contém notícias internacionais. Vale destacar aqui algumas capas importantes. A primeira delas é a capa da primeira publicação da Folha da Noite, em 19 de fevereiro de 1921, que trouxe a notícia “Declarações de Lloyd George sobre as dividas allemans”, produzida em Londres e enviada ao jornal por meio de agências noticiosas. Outra capa de destaque foi a da Folha da Manhã, de 30 de outubro de 1929, que apresenta como primeira chamada “A situação creada pelas especulações da Bolsa de Nova York”, que vem seguida de cinco notícias sobre o crash, que foram produzidas em Nova York e duas notícias sobre o assunto que foram produzidas em Berlim. A terceira capa de destaque foi a da Folha de S. Paulo, de 23 de novembro de 1963, que teve como principal manchete “John Kennedy assassinado”, que foi produzida em Dallas e também enviada por meio das agências de notícias.
 


 Primeira publicação da Folha da Noite, em 19 de fevereiro de 1921, trouxe a notícia internacional “Declarações de Lloyd George sobre as dividas allemans”



Capa do jornal de 1929 que traz a notícia sobre a queda da Bolsa de Nova York



Capa do jornal de 1963 que trouxe a notícia da morte de John Kennedy


A estrutura interna da editoria Mundo da Folha de S. Paulo é formada pelo editor Rodrigo Rötzsch e seis repórteres, que trabalham na sede em São Paulo. Rodrigo Rötzsch, em entrevista, afirmou que o jornal possui correspondentes seniores em Washington, Pequim, Jerusalém e Caracas e correspondentes bolsistas, ou seja, profissionais que vão ocupar o posto por um período de nove meses como forma de aprendizado, em Buenos Aires, Nova York e Genebra. Atualmente a Folha ainda mantém um segundo correspondente em Nova York dedicado a assuntos econômicos que ficará na cidade por tempo indeterminado. Segundo o editor de Mundo da Folha, os correspondentes estão alocados em países estratégicos, onde há notícias que são consideradas de maior interesse dos leitores do jornal.
Vale ainda destacar o processo de produção das notícias da editoria do jornal. Antes de explicar a reunião de pauta específica da editoria Mundo da Folha de S. Paulo vale lembrar que o jornal tem três reuniões gerais por dia. A primeira é às 9 horas, quando os chefes de reportagem se reúnem com os secretários de redação e discutem as perspectivas de reportagem para o dia, a segunda é às 12 horas, quando os editores dos cadernos, junto dos secretários de redação e da editora-executiva do jornal discutem a edição do dia anterior e as prioridades de cada editoria no dia, e a terceira é às 17 horas, com a participação dos mesmos presentes da segunda reunião e com o editor da primeira página, quando são apresentados os detalhes finais do dia de cada editoria e é resolvido o que merece ser capa do jornal. Assim como explicou Rodrigo Rötzsch, além dessas reuniões gerais, a editoria Mundo tem uma reunião interna, às 14 horas, quando ele distribui as reportagens do dia então definidas entre os repórteres e define com eles o que é mais ou menos importante.
As matérias internacionais são então produzidas por meio dos despachos das agências de notícias. De acordo com o editor de Mundo da Folha, o ideal é ler todos os despachos, principalmente os que sejam relacionados aos temas do dia. Em entrevista, Rodrigo Rötzsch afirmou que as agências mais utilizadas pela editoria Mundo da Folha são a Reuters, a AP e a Efe. Segundo o editor de Mundo, a editoria da Folha vem dando prioridade às notícias que dizem respeito à América do Sul, portanto, uma notícia do Paraguai, por exemplo, que receba pouco destaque das agências de notícias pode ser uma prioridade para a Folha, que terá de buscar informações e apurá-las de outras formas.
Na versão impressa, a editoria Mundo tem normalmente de quatro a sete páginas e em quase todas há o versal [+] Saiba mais, que apresenta uma matéria paralela que complementa a matéria principal da página, a maioria das páginas da editoria possui um olho da matéria principal e apresenta infográficos e ilustrações. A editoria também apresenta algumas análises dos assuntos mais relevantes, que normalmente são produzidas por correspondentes e enviados especiais. A editoria traz com frequência entrevistas ping-pong e textos retirados de jornais internacionais, principalmente do Financial Times. Há ainda indicações nas páginas do impresso que direcionam o leitor a outras páginas da editoria, como forma de complementar informações, por exemplo, “Leia Mais A-20”. No entanto, a editoria do impresso não apresenta indicações ao leitor para complementação de notícias na Folha Online.
A editoria Mundo na Folha Online existe desde a criação do portal em 2000. De acordo com a editora do Mundo Online, Daniela Loreto, atualmente, a editoria é composta pelo editor, editor-assistente e dois repórteres, lembrando que a editoria da Folha Online não possui correspondentes e apenas aproveita o material enviado pelos correspondentes da Folha de S. Paulo. Em relação ao aproveitamento de material da Folha no portal, a editora do Mundo Online explicou que, pela manhã, cada editoria da Folha Online pode utilizar cerca de 30% do material da Folha Impressa, e, que, em geral, os textos de correspondentes internacionais do impresso podem ser publicados no portal.
Ainda de acordo com Daniela Loreto, existe uma reunião de pauta da editoria Mundo da Folha Online uma vez por semana (geralmente às segundas-feiras). Ela ocorre apenas entre os repórteres do Mundo Online, quando são discutidas as prioridades da editoria e é estabelecida uma agenda da semana. Ela ainda explica que um repórter do Mundo Online sempre participa das reuniões de pauta da Folha que já foram explicitadas anteriormente.
Sobre a produção das notícias da editoria no portal, segundo informações fornecidas pela editora do Mundo Online em entrevista, o processo de atualização é similar ao das outras editorias. Todo o conteúdo da página (manchete, destaques abaixo da manchete e foto) é atualizado pela manhã, até 9h, e atualizado ao longo do dia, em geral no mínimo, uma vez próximo das 12h, uma vez à tarde e uma à noite, lembrando que isso é o obrigatório, mas que, em geral, a editoria é atualizada com mais freqüência. No caso de uma notícia quente, a atualização é imediata e os assuntos em destaque na homepage do site devem ser atualizados no máximo a cada duas horas para trocar o texto “linkado” na homepage. Em geral, a atualização da homepage principal é a prioridade em todas as editorias.
Conforme já foi comentado, as páginas de todas editorias do portal apresentam o mesmo layout e os mesmos links e vale explicar aqui essa estrutura. Assim, na homepage da editoria Mundo Online, como nas outras do portal, há sempre uma foto ou um vídeo do principal e mais recente fato e a apresentação de quatro a sete principais manchetes da editoria. Há o link Interação que disponibiliza uma ou duas enquetes com temas da editoria em que o internauta pode participar dando seu voto e o link Serviços que oferece ao leitor informações relacionadas a editoria Mundo. Há ainda o link Colunistas que apresenta os colunistas do Grupo Folha relacionados ao assunto da editoria, como por exemplo, Clóvis Rossi e a Livraria da Folha que está presente na primeira página do portal e também aparece em todos os links das editorias, lembrando que a lista de livros é sempre de títulos relacionados ao assunto da editoria e há fotos dos livros, informações básicas das obras e a sinopse delas. Há também o link Galerias que oferece imagens do dia e outras galerias da editoria, o link Multimídia, que apresenta um ou dois dos principais vídeos dos últimos dias, e os links +lidas, +curiosas e +enviadas da editoria. Há ainda, em algumas editorias, o link Especiais, por exemplo, na editoria Mundo, em novembro de 2009, o link apresenta um especial sobre a cobertura completa dos 20 anos da queda do Muro de Berlim. Ao fim da tela das editorias, há ainda uma lista de notícias que são atualizadas em tempo real e estão divididas por datas e com os respectivos horários de publicação.
A editora de Mundo do portal explicou ainda que não há um contato regular com a equipe da editoria da Folha Impressa e que as duas redações trabalham de forma independente. No entanto, nada impede o contato entre as equipes e a tendência é que impresso e online trabalhem cada vez mais integrados.

O objeto de análise e seus veículos: O Estado de S. Paulo




O jornal O Estado de São Paulo surgiu em 1875, em uma época quando predominavam ideais abolicionistas e republicanos, conforme explicou Cléber Sebastião Fabbri (2002). Segundo o autor, o jornal foi criado por um grupo de revolucionários que lutavam pela liberdade democrática. Informações disponíveis no portal estadao.com.br contam que o grupo de 16 pessoas que fundou o jornal foi liderado por Manoel Ferraz de Campos Salles e Américo Brasiliense, como resultado de uma proposta surgida na Convenção Republicana de Itu, que sugeria a criação de um diário republicano como forma de liberdade de expressão para aqueles que estavam insatisfeitos com a monarquia e a escravidão. Nessa época, São Paulo era uma cidade que contava com pouco mais de 30 mil habitantes, e possuía mais dois jornais de notável circulação: o Correio Paulistano e o Diário de São Paulo, fundados, respectivamente, em 1854 e 1865, e ambos extintos atualmente.
Em 4 de janeiro de 1875 começava a circular o jornal A Província de São Paulo. De acordo o relatório corporativo de 2007 do grupo Estado, a primeira edição de A Província possuía quatro páginas e 2025 exemplares. Fabbri (2002) afirma que nesse momento a venda dos jornais era feita apenas por assinaturas ou nas redações. A venda de jornais avulsa começou apenas em 1876, e era feita pelo francês Bernard Gregoire, que acabou se tornando figura folclórica na cidade.
A Província era um jornal de oposição e por isso sofria dificuldades financeiras. Foi só em 1884 que Júlio Mesquita entrou na sociedade que mantinha o jornal e fez várias inovações, por exemplo, a contratação da agência internacional de notícias Havas, o que tornou o jornal mais ágil e atual, e consequentemente mais atraente para os leitores. Em 1889, um mês e meio após a proclamação da república, A Província de São Paulo passa a se chamar O Estado de São Paulo, o que significou, segundo Fabbri, uma vitória para os ideais republicanos dos fundadores do jornal. Nesse período, o jornal já circulava com uma tiragem de oito mil exemplares, de acordo com dados disponíveis no portal estadao.com.br. Em 1891, Júlio Mesquita tornou-se diretor do jornal, assumindo o cargo que era de Rangel Pestana, e em 1902, o jornal torna-se propriedade integral da família Mesquita.






Em 1897, durante a Guerra de Canudos, o Estado de São Paulo inova mais uma vez mandando um correspondente ao sertão nordestino para fazer uma cobertura especial da guerra. Os relatos publicados no jornal com a assinatura do repórter Euclides da Cunha ganharam grande visibilidade e foram reunidos na sua notável obra Os Sertões.
Segundo Fabbri, por volta de 1907, o jornal chega à tiragem diária de 35 mil exemplares, com uma média de 16 a 20 páginas. Em 1915, outra novidade é introduzida por Júlio Mesquita: o lançamento do Estadinho, uma versão vespertina do jornal e que circulou até 1921 sob a direção de Júlio Mesquita Filho, de acordo com o relatório corporativo de 2007 do grupo Estado. Ainda durante as primeiras décadas do século XX, pode-se destacar a cobertura feita pelo jornal da Primeira Guerra Mundial, quando Júlio Mesquita publicou boletins e artigos semanais com análises feitas por ele sobre o conflito. Esse material pode ser encontrado hoje no livro A Guerra, publicado em 2002 por Ruy Mesquita, neto de Júlio.
O jornal já nasceu como um veículo de oposição. Após a proclamação da república, o grupo de fundadores sentiu-se vitorioso, mas continuou lutando por ideais que não eram respeitados pelo Estado, como o voto livre, já que na época vigorava o sistema eleitoral que ficou pejorativamente conhecido como “bico-de-pena”. Segundo Fabbri, em 1909, durante o período eleitoral, o Estado de São Paulo apoiou o candidato da oposição, Ruy Barbosa. Foi nesse contexto que o jornal ficou conhecido como resistente e opositor em prol da liberdade. Assim, em 1924, Júlio Mesquita foi preso durante a revolução paulista de 1924, e morreu três anos depois. Após a morte do primeiro Mesquita, assumiram a direção seus filhos Júlio de Mesquita Filho e Francisco Mesquita e Armando Salles Oliveira.
Sob nova direção, o jornal continuou se opondo ao governo vigente. Em 1932, apoiou a articulação da Revolução Constitucionalista, que questionava as reformas não realizadas prometidas por Getúlio Vargas, que assumira a presidência em 1930. Devido a isso, alguns diretores e vários redatores foram mandados para exílio em Portugal. Segundo o relatório corporativo de 2007 do grupo Estado, eles só retornaram em 1933, quando Armando Salles Oliveira foi convidado por Vargas para ser interventor federal em São Paulo. Salles Oliveira impôs como condição para aceitar o convite a anistia dos outros diretores do Estado de São Paulo.







Júlio Mesquita Filho foi preso mais 17 vezes na década de 1930. Em 1940, ele estava exilado em Buenos Aires, quando recebeu a notícia de que o jornal havia sido ocupado pela polícia. O jornal ficou, então, cinco anos sob intervenção militar. Fabbri explica que o pretexto dado pela polícia para invadir e manter a vigilância no jornal era porque havia armas escondidas no prédio e afirma que esse período da história é rejeitado pelo jornal.
Após o Golpe Militar de 1964, a imprensa brasileira viveu um período caracterizado pela ditadura. O Estado de São Paulo sofreu duras intervenções durante esse período. Em 13 de dezembro de 1968 o jornal foi proibido de circular. A proibição aconteceu após a publicação de um editorial assinado por Júlio Mesquita Filho intitulado “Instituições em frangalhos”. A partir de então, todos os textos do jornal passavam pela censura.

Censores ficavam nas redações vigiando os textos que seriam publicados. Quando os textos eram censurados, o Estadão utilizava um expediente curioso e engenhoso. No lugar da matéria vetada, eram publicados trechos do clássico da literatura portuguesa “Os Lusíadas”, de Luís de Camões. (FABBRI, 2002, p. 71)

No final de 1969, assume a direção do jornal Júlio Mesquita Neto, após o falecimento de Júlio Mesquita filho, em 4 de julho, e de Francisco Mesquita, em 8 de novembro, ambos no último ano da década de 1960. No começo da gestão de Mesquita Neto, em 1970, é fundada a Agência Estado, a primeira agência de notícias do país, especializada em fornecer informações para o mercado financeiro. Nessa época, o Grupo Estado já era constituído pelo jornal O Estado de São Paulo, a rádio Eldorado (criada em 1958) e o Jornal da Tarde (criado em 1965).
Em 1984, o Grupo Estado passa por uma mudança significativa. A empresa, que era caracterizada pelo modelo de gestão familiar, contrata empresários para assumir a administração do grupo. Fabbri explica que o motivo que impulsionou a família Mesquita a tomar essa decisão foi a situação financeira da empresa, que após o conturbado período da ditadura, estava em condições ruins. Ainda na década de 1980, de acordo com Fabbri, o jornal passa por novas mudanças: a criação do Caderno 2 coincidiu com a reformulação do projeto gráfico do jornal, que ganhou uma aparência mais moderna.
Ruy Mesquita assumiu a direção do grupo em 1996, após o falecimento de seu irmão, Júlio Mesquita Neto. Segundo Lourival San´Anna (2008), em 2003 a família Mesquita recuou ainda mais na direção da empresa, concentrando-se apenas no Conselho Administrativo. Ruy Mesquita é a exceção, já que até hoje permanece no cargo de diretor-responsável e responde pela opinião do jornal. Atualmente, a sede do grupo está localizada no bairro do Limão, em São Paulo.
O jornal O Estado de São Paulo, cuja periodicidade é diária, possui oito editorias fixas, mas diariamente traz um ou mais cadernos suplementares. As editorias fixas são: Nacional, Opinião, Internacional, Vida& (as quatro em um mesmo caderno), Economia, Cidades, Esportes e Caderno 2 (as quatro últimas em cadernos individuais). Os suplementos são: Agrícola (quarta-feira), Paladar (quinta-feira), Aliás: a semana revista (domingo), Feminino (domingo), Tv & Lazer (domingo), Link (segunda-feira), Viagem & Aventura (terça-feira), Estadinho (sábado) e Ponto Edu (terça-feira).
Em março do ano 2000 surge o portal estadao.com.br, como resultado de uma fusão dos sites da Agência Estado e dos jornais O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde. Segundo o relatório corporativo de 2008 do grupo Estado, é por meio do portal que o jornal O Estado de São Paulo torna-se verdadeiramente multimídia, multiplataforma e assume uma posição denominada web first, que significa que as notícias divulgadas pela equipe de jornalismo do grupo Estado estarão na web primeiro.
Em 2007, o portal passa por uma reformulação de seu layout, que lhe permite maior interatividade com os internautas, conforme foi divulgado no relatório corporativo de 2008. A partir de então, no estadão.com.br, o leitor tem acesso a algum conteúdo do jornal impresso e às notícias em tempo real, além de ter a possibilidade de interagir com o Estadão por meio de blogs, fóruns, enquetes e de deixar comentários em qualquer matéria disponível no portal. O portal também oferece uma série de serviços, tais como: O Estadão Digital, que consiste em uma versão digital do jornal impresso, exclusivo para assinantes, e que foi recentemente introduzido no portal Folha Online; O Estadão de Hoje, que disponibiliza para os internautas as capas de todos os cadernos do jornal impresso do dia, e link para algumas reportagens do impresso que foram disponibilizadas no portal; O Estadão no Desktop, que possibilita que o internauta instale em seu computador widgets, ou seja, pequenas janelas com notícias que ficam visíveis na área de trabalho do computador e que são atualizadas a todo instante; O Estadão no Celular, que permite ao leitor do Estadão ter acesso às notícias pelo celular, por meio de assinatura para receber alertas SMS ou por meio de conexão com a Internet; o Webmail Estadão; o Meu Estadão, que por meio de cadastro gratuito, o internauta monta o seu próprio noticiário, escolhendo assuntos e recursos multimídia de seu interesse; a ferramenta RSS; a previsão do tempo; Especiais, que traz vários conteúdos especiais sobre um determinado assunto, por exemplo, o especial sobre os 20 anos da queda do Muro de Berlim, disponível no portal a partir de novembro de 2009, trouxe para os leitores uma apresentação em flash, um vídeo produzido pela TV Estadão, uma lista com as últimas notícias relacionadas ao tema, uma galeria de imagens e um teste de conhecimentos envolvendo o assunto; o Fotos, que traz as fotografias referentes às últimas notícias divulgadas no portal, além de incluir o serviço Foto Repórter, que convida o leitor a enviar fotografias tiradas por ele para serem publicadas nos veículos do Grupo Estado; o Áudios, que reúne os áudios e podcasts publicados no portal; e a TV Estadão. Todos esses serviços ficam localizados na parte superior do portal, em uma barra horizontal fixa.
O portal possui as mesmas editorias do Estadão. No entanto, os suplementos que são publicados separadamente no jornal impresso, no estadão.com.br estão disponíveis diariamente. Os links que direcionam para as páginas de cada editoria no portal estão localizados em uma coluna horizontal na parte superior da página, e assim como os links para os serviços, descritos acima, são fixos. Cada link de editoria possui subdivisões, com links para os temas recorrentes dentro daquela editoria ou para assuntos que podem auxiliar o internauta a encontrar a informação desejada. Dessa forma, a editoria Opinião tem a subdivisão Fórum dos Leitores; a editoria Nacional tem as subdivisões Política, Questões Sociais, Amazônia e Eleições 2008; a editoria Internacional tem as subdivisões América Latina, EUA e Canadá, Oriente Médio, Europa e Outras regiões; a editoria Vida & tem as subdivisões Ciência, Saúde e Meio Ambiente; a editoria Economia tem as subdivisões Negócios, Broadcast Ao Vivo, Investimentos e Cannes; a editoria Cidades tem as subdivisões São Paulo, Geral, Tempo, Loterias e Megacidades; a editoria Esportes tem as subdivisões Basquete, Brasileirão, Eliminatórias da Copa, Tênis, Velocidade e Vôlei; e a editoria Caderno 2 tem as subdivisões Direto da Fonte (versão online da coluna de Sônia Racy, publicada há 17 anos pelo Estado de São Paulo), Cinema, Música, Variedades e Horóscopo. Os suplementos do jornal impresso (Agrícola, Aliás: a semana revista, Feminino, Tv & Lazer, Viagem & Aventura, Estadinho e Ponto Edu), com exceção de Link e Paladar, são as subdivisões do link Mais Suplementos.
As editorias Link e Paladar possuem links que direcionam para os portais com os mesmos nomes, localizados dentro do portal estadao.com.br. Ao serem visualizados na página principal do estadao.com.br ou nas páginas principais de cada editoria, eles também possuem subdivisões, que são, para a editoria Link: Notícias, Vídeos, Áudios, Blogs, Especiais e Link no Papel, e para a editoria Paladar: Coleção Gourmet, Reportagens, Receitas, Restaurantes, Vinhos, Chefs, Vídeos e Blogs. Segundo o relatório corporativo de 2008 do Grupo Estado, o lançamento do portal Paladar foi a primeira iniciativa de um plano de criar espaços específicos dentro do portal baseados em marcas que o jornal O Estado de São Paulo publica. O segundo, seria o portal Link. A criação dos dois portais é considerada um exemplo, de acordo com o relatório, de convergência papel-digital.
Segundo Lourival Sant´Anna (2008), foi implementado em setembro de 2006 o “mesão”, que se trata de uma reunião entre as principais chefias do Estadão com editores do portal estadão.com.br e responsáveis pela Agência Estado, com o objetivo de produzir matérias especiais para todas as editorias do jornal, integrando as mídias impresso. O chamado Mesão está em vigor desde então, e em maio de 2009 dobrou o seu time de repórteres especiais, que contava com quatro jornalistas, segundo reportagem do portal Comunique-se. O Mesão é mais um exemplo da convergência de mídias dentro do Grupo Estado .
Dados do relatório corporativo de 2008 do Grupo Estado contabilizam em 37.055.367 os visitantes únicos do portal estadao.com.br no período de janeiro a dezembro de 2008. O relatório afirma que o número cresceu 56% com relação ao mesmo período de 2007. Informações obtidas no relatório corporativo de 2007 do Grupo Estado demonstram que o seu público é bem diversificado, com relação a faixa etária: 16% tem até 17 anos, 17% tem de 18 a 25 anos, 22% tem de 26 a 34 anos, 28% tem de 35 a 49 anos e 17% dos usuários do estadao.com.br tem a partir de 50 anos.

O objeto de análise e seus veículos: Folha de S. Paulo




A Folha de São Paulo, também conhecida como Folha, é um jornal impresso brasileiro, editado na capital paulista, que foi fundado em 19 de fevereiro de 1921, com o nome original de Folha da Noite, por um grupo de jornalistas liderado por Olival Costa e Pedro Cunha. Retomando assim a história do impresso brasileiro, o objetivo inicial do vespertino era atrair leitores das classes operária e média urbana, de acordo com o Manual de Redação da Folha de S. Paulo (2007). E em julho de 1925, foi lançado o matutino Folha da Manhã que deu força ao empreendimento jornalístico.
O ano de 1930 também foi marcante na história da Folha de S. Paulo, que por apoiar a eleição de Júlio Prestes à presidência da República, foi depredada e fechada em outubro desse ano. Nessa época, a Folha tinha como principal caricaturista Lelis Viana, o Juca Pato, personagem que criticava a Aliança Liberal, de Getúlio Vargas. Foi então em 1931, que o jornal mudou de dono e voltou a funcionar, quando Octaviano Alves de Lima, Diógenes de Lemos e Guilherme de Almeida compraram os títulos e deram novo nome a razão social da empresa que os editava, que passou a ser Empresa Folha da Manhã Ltda. A partir de então, a linha editorial dos diários era voltada para a defesa dos produtores rurais paulistas.




Em 1945, o controle acionário da empresa passou a ser do jornalista José Nabantino Ramos, e a partir de então, em 1949, ele fundou a Folha da Tarde. Foi em 1960 que Nabantino Ramos fundiu os três títulos Folha da Manhã, Folha da Tarde e Folha da Noite em um, e deu origem a Folha de S. Paulo, que “adotou linha editorial identificada com os interesses das classes médias urbanas do Estado” (2007, p. 106).
Em 1962, a empresa passou por dificuldades econômicas e foi transferida para as mãos dos empresários Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho. Assim, de 1962 a 1967 o principal objetivo dos empresários foi reorganizar a empresa do ponto de vista financeiro e administrativo. Em 1967, de acordo com dados do portal Folha Online, a Folha de S. Paulo foi o jornal pioneiro na impressão offset em cores, que foi usada pela primeira vez em larga tiragem no Brasil.
Em um primeiro momento, a Folha de S. Paulo apoiou o golpe de 1964 e a ditadura militar, ao contrário de seu principal concorrente O Estado de São Paulo, que sofreu intervenções e censura durante o período da ditadura implantada no Brasil. Diante da decisão da Folha de apoiar a ditadura militar, vários veículos de entrega dos jornais foram incendiados por grupos de esquerda que eram contra a ditadura. Essa atitude da Folha de S. Paulo gera repercussões até hoje, já que ainda esse ano, a Folha causou polêmica ao se referir a Ditadura Militar Brasileira, como “Ditabranda”.
Mas o apoio ao golpe militar de 64 não durou muito. A ascensão de uma redação renovada, com a presença de nomes como Cláudio Abramo, Jânio de Freitas, Bóris Casoy e Clóvis Rossi influenciou a linha editorial do jornal e já na década de 80 o jornal se voltou para as reportagens que apoiavam o movimento das Diretas-Já. De acordo com dados do portal Folha Online, em 1976, foi criada a seção Tendências/Debates, que era pautada pelo princípio da pluralidade e gerou a publicação de artigos de vários matizes ideológicos. Essa seção fortaleceu o processo de redemocratização no Brasil.
Em 1981, segundo dados do portal Folha Online, surgiu um documento de circulação interna no jornal que foi a primeira forma de sistematização de um projeto editorial, que se fixava em três metas: informação correta, pluralidade de opiniões e interpretações competentes. Assim, de acordo com o Manual de Redação da Folha de S. Paulo, esse primeiro projeto editorial do jornal norteou “os rumos jornalísticos da Folha, que assumiu, em 1984, a liderança – entre os veículos de comunicação do país – da campanha Diretas-Já” (2007, p. 106).






Outra data importante foi 1983, de acordo com dados do portal Folha Online, quando a Folha se tornou a primeira redação informatizada da América do Sul, com a instalação de computadores. Em 1984, foi publicado o primeiro projeto editorial, que defendia segundo dados do portal da Folha, um jornalismo crítico, apartidário, pluralista e moderno, e foi implantado o primeiro Manual de Redação, editado em livro. 1986 foi também um marco na história do jornal impresso brasileiro, já que ele se tornou o diário de maior circulação no país.
Em 1991, as ações da empresa Folha da Manhã S.A. que pertenciam a Carlos Caldeira Filho passaram a Octavio Frias de Oliveira e ainda na década de 90, o jornal em uma atitude novamente pioneira e revolucionária, contratou um ombudsman. Conflitos entre o então ombudsman da Folha, Caio Túlio Costa, e o articulista, Paulo Francis, fizeram com que Caio se mudasse para o concorrente O Estado de S. Paulo.
Ainda no início da década de 1990, a Folha criou novos produtos e suplementos do jornal como a Revista da Folha, publicação que circula na edição de domingo e traz reportagens sobre comportamento, moda, saúde, etc., e o caderno Folhateen, suplemento de segunda-feira da Folha de S. Paulo destinado ao público jovem. De acordo com dados do portal Folha Online, em 1991, o noticiário da Folha passou a ser organizado em cadernos temáticos, ou seja, os suplementos, e a primeira página do jornal passou a circular colorida todos os dias. Em 1992, de acordo com dados do portal Folha Online, o empresário Octavio Frias de Oliveira passou a deter a totalidade do controle acionário da companhia e a Folha se consolidou como o jornal de maior circulação paga aos domingos, com uma média de 522.215 exemplares. É importante ressaltar ainda que em meados da década de 1990, a Folha passou a liderar as vendas em São Paulo, superando O Estado de S. Paulo, e uma grande campanha publicitária, em que o então diretor de redação do jornal, Matinas Suzuki Jr, aparecia na televisão anunciando as novidades do jornal, a reforma gráfica e o lançamento de brindes como o Atlas da Folha e dicionários reforçaram a liderança do jornal.
Outro marco importante na história da Folha foi o ano de 1994, que com o lançamento do Atlas Folha/The New York Times, em fascículos, a Folha bateu recorde de tiragem e de vendas na história de jornais e revistas do Brasil no dia de lançamento, com cerca de 1.117.802 exemplares, e nas semanas subseqüentes, segundo dados do portal Folha Online. Em 1995, começou a funcionar o Centro Tecnológico Gráfico-Folha, em Tamboré, o maior parque gráfico da América Latina, com 25 mil metros quadrados e capacidade de imprimir 16.640.000 páginas por hora.
Hoje, a diretoria corporativa do Grupo Folha é composta por: Luís Frias (presidente), Otavio Frias Filho (diretor editorial), Antonio Manuel Teixeira Mendes e Judith Brito (superintendentes) e Eleonora de Lucena (editora-executiva). A sede do jornal fica na Alameda Barão de Limeira, 425, Bairro Campos Elíseos, na capital paulista. E a Folha é hoje o jornal brasileiro de maior tiragem e circulação, e de acordo com dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC) a circulação paga em setembro de 2009 aos domingos foi de 342.614 exemplares, em dias úteis de 287.627 exemplares e de segunda a domingo uma média de 295.482 exemplares.
É ainda importante ainda explicar aqui o perfil dos leitores da Folha de S. Paulo. De acordo com reportagem publicada na própria Folha, em 11 de novembro de 2007, que traçou um perfil do leitor do jornal, é possível afirmar que o leitor da Folha de S. Paulo é bem informado, sendo que 68% têm curso superior; 90% pertencem às classes A e B, 92% assistem a telejornais, 69% lêem revistas e 57% buscam notícias na Internet. A maioria dos leitores é branca, católica, casada, tem filhos, um bicho de estimação, tem entre 23 e 49 anos, é usuária de internet, faz exercícios e freqüenta restaurantes, shoppings, cinema e livrarias, ou seja, estão no topo da pirâmide da população brasileira. A pesquisa da Datafolha apresentada na reportagem identificou ainda que 63% dos leitores estão no mercado de trabalho ou à procura de emprego (caso de 4%). Os 37% restantes são aposentados (17%), estudantes (10%) e donas-de-casa (8%), entre outros. Sobre questões consideradas polêmicas, os leitores se posicionam a favor do casamento gay, da legalização do aborto, da reforma agrária e contra a pena de morte. São, por outro lado, contrários à descriminalização da maconha e a favor da redução da maioridade penal.
A Folha de S. Paulo tem hoje além das editorias fixas, vários suplementos. Dentre as editorias fixas estão: Folha Brasil, Folha Ciência, Folha Cotidiano, Folha Dinheiro, Folha Esporte, FolhaCorrida, Folha Ilustrada, Folha Mundo, Opinião e Folha Saúde. E os suplementos são: Agrofolha, Classificados Folha Empregos (domingo), Classificados Folha Imóveis (domingo), Classificados Folha Negócios (domingo), Classificados Folha Veículos (domingo), Folha Educação, Folha Equilíbrio (quinta-feira), Folha Construção (domingo), Folhainvest (segunda-feira), Folhinha (sábado), FolhaTeen (segunda-feira), Fovest (terça-feira), Guia da Folha (sexta-feira), Folha Informática (quarta-feira), Revista da Folha (domingo), Folha Turismo (quinta-feira), +mais! (domingo), Moda (caderno trimestral) e Vitrine (sábado).
É importante destacar que a editoria Opinião tem diariamente duas páginas, considerando que a Folha de S. Paulo conta com muitos articulistas como Clóvis Rossi, Eliane Cantanhêde, Carlos Heitor Cony, Navi Pillay, Teixeira Coelho, entre outros.
Voltando um pouco na história, em 1996, o Grupo Folha lançou o Universo Online, o UOL, primeiro serviço online de grande porte do Brasil. Sua fundação envolveu uma pequena equipe de desbravadores, e de acordo com o portal Folha Online, um provedor de conteúdo de grande porte na rede nessa época era apenas um sonho para o Grupo Folha, até porque os jornalistas não se sentiam atraídos pelo novo projeto do jornalismo online, já que sentiam melhores em um veículo impresso. Segundo dados do portal Folha Online, no início, a equipe do Universo Online, tinha cerca de 20 pessoas. Ainda de acordo com o portal Folha Online, o primeiro veículo virtual da Folha foi a Folha Web, um site simples, que era produzido por um terminal na Redação da Agência Folha e ocupava um espaço pago em um provedor da Embratel, por onde passaram também os primeiros sites do Jornal do Brasil e do O Estado de São Paulo.
Foi então em 2000, que o Grupo Folha criou a Folha Online, ou seja, o portal www.folhaonline.com.br, que está situado no provedor UOL. De acordo com o Manual de Redação da Folha de S. Paulo, a Folha Online é um jornal em tempo real do Grupo Folha. E segundo informações do portal Folha Online, foi o primeiro jornal em tempo real em língua portuguesa. É importante destacar que o portal tem uma equipe de reportagem própria, que cria, produz e desenvolve conteúdo jornalístico on-line. Os primeiros links disponíveis na Folha Online são: Notícias, Especial, Serviço, Galeria, Erramos, Colunas, Fale Conosco, Atendimento ao assinante, Grupo Folha e Assine Folha.
O link Notícias é a página principal do portal, que é atualizada durante todo o dia. Lembrando que a principal característica do portal é a presença de um grande número de notícias na capa, assim o link Notícias já fica pré-selecionado ao acessar o www.folhaonline.com.br. No link Especial há um retrospecto das principais coberturas do portal de 2000 a 2009, como na editoria Brasil, a cobertura especial de 25 anos do MST. O link Serviços oferece os links: A cidade é sua, que é um canal de defesa do consumidor, que publica reclamações de leitores e também de empresas envolvidas, o link Atendimento ao assinante, o link Busca, que oferece mais de 2,5 milhões de reportagens publicadas pela Folha Online (com acesso livre e gratuito) e pela Folha de S. Paulo (com acesso exclusivo para assinantes da Folha e do UOL), o link Classificados, o link Comunicar Erros, onde os leitores da Folha Online podem enviar e-mails para a Redação 24 horas para informar sobre possíveis erros e imprecisões nos textos publicados, o link Envie sua notícia, o link Folha Online Móvel, onde há publicação do noticiário da Folha Online no formato wap, acessado gratuitamente nos telefones celulares, o link Folhanews, um serviço de informação em tempo real da Folha Online, apenas para assinantes do próprio serviço, direcionado ao mercado financeiro e ao setor corporativo, o link Folhashop, que permite a busca de produtos, o link Folhainvest, que é o site do concurso que oferece a oportunidade de conhecer o mercado de ações e testar conhecimentos para avaliar as empresas cotadas em Bolsa, o link Fovest, que oferece cobertura sobre vestibulares, cursos universitários e dicas preparatórias para as provas, o link Guia da Folha, que oferece a programação cultural de São Paulo, o link Horóscopo, o link Indicadores, onde há cotações da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), números de fundos de previdência, entre outros, o link Loterias, o link Manchetes, onde há uma lista de todos os temas que foram manchete no dia e em dias anteriores em jornais e TVs do Brasil e do mundo, o link Ombudsman, o link RSS e o link Tempo.
O próximo link geral do portal é a Galeria, que apresenta as imagens do dia e tem um acervo de imagens da semana e um álbum com imagens desde 2000. No link Erramos a Folha Online apresenta seus erros ao internauta, em Colunas há a apresentação de todos os colunistas da Folha de S. Paulo que também estão disponíveis no portal e no link Fale Conosco há espaço para contato com assinantes, anunciantes, classificados, denúncia e sugestão de reportagens, contato com ombudsman, sobre jornais atrasados e para trabalhar com o grupo. E no link Grupo Folha há sublinks como o Banco de dados, que centraliza toda a documentação jornalística da Folha de S. Paulo, o ClubeFolha onde o assinante do jornal pode consultar os estabelecimentos conveniados ao ClubeFolha e ter acesso a descontos em estabelecimentos, o Conheça a Folha que traz informações gerais sobre o impresso, o DataFolha que contém os resultados dos estudos de opinião pública realizados pelo instituto, o FolhaPress que é o site da agência de notícias do Grupo Folha, o link Publicidade que traz informações sobre os produtos que o grupo coloca à disposição do mercado anunciante, o link PubliFolha que direciona ao site da editora do Grupo Folha, o link Trabalhe na Folha e o link Treinamento.
Depois desses links gerais, o portal Folha Online disponibiliza os links jornalísticos e os que dizem respeito as editorias, são eles: Em cima da hora, Ambiente, Bichos, Brasil, Ciência e Saúde, Comida, Cotidiano, Dinheiro, Educação, Equilíbrio, Esporte, Ilustrada, Informática, Mundo e Turismo. É importante lembrar que em todas as editorias, há notícias que possuem vídeo, áudio ou flash. E em geral as páginas desses links seguem um padrão, ou seja, praticamente todas apresentam o mesmo layout e os mesmos links.
Há sempre uma foto ou um vídeo do principal e mais recente fato à esquerda da tela e ao lado direito da página aparecem de quatro a sete principais manchetes da editoria. Há o link Interação que disponibiliza uma ou duas enquetes com temas da editoria em que o internauta pode participar dando seu voto e o link Serviços que no caso do link Ambiente, por exemplo, oferece aos internautas a opção: “Denuncie: Saiba a quem denunciar crimes ambientais”. Há ainda o link Colunistas que apresenta os colunistas do Grupo Folha relacionados ao assunto da editoria e a Livraria da Folha que está presente na primeira página do portal e também aparece em todos os links jornalísticos e das editorias, lembrando que a lista de livros é sempre de títulos relacionados ao assunto, e há fotos dos livros, informações básicas das obras e a sinopse delas. Há também o link Galerias que oferece imagens do dia e outras galerias da editoria, o link Multimídia, que apresenta um ou dois dos principais vídeos dos últimos dias, e os links +lidas, +curiosas e +enviadas da editoria. Há ainda em algumas editorias o link Especiais, por exemplo, na editoria Brasil o link apresenta um especial sobre a cobertura completa das eleições na Câmara e no Senado e os escândalos sobre o Congresso Nacional. Na editoria Cotidiano há um link exclusivo, o Pelo país, que abrange as notícias de outras capitais do Brasil e não apenas aquelas relacionadas ao estado de São Paulo que são a maioria da editoria. Especificamente na editoria Dinheiro há o link Indicadores, que apresenta os dados das bolsas de valores de todo o mundo, entre elas, a Bovespa, Nasdaq, entre outras. Ao fim da tela das editorias há ainda uma lista de notícias que são atualizadas em tempo real e estão divididas por datas e com os respectivos horários de publicação.

Mais exemplos da editoria Internacional e Mundo e as categorias de análise


1)Interatividade


A matéria da editoria Internacional do portal estadao.com.br “Soldados vivem entre períodos de tédio e terror no Afeganistão” do dia 28 de julho possui os hiperlinks “Especial: 30 anos de caos e violência no Afeganistão” e “Blog: Patrícia C. Mello faz o Diário da Guerra de Obama”.





Além da hipertextualidade possibilitada pela Internet, já que há uma complemetação de informações entre esses hiperlinks que tratam do mesmo assunto por meio da construção de um texto multilinear, o hiperlink “Especial: 30 anos de caos e violência no Afeganistão” oferece ao internauta um infográfico com animação que faz um retrospecto da violência no Afeganistão de 1979 a 2009, reforçando a multimidialidade e a capacidade de aprofundamento e contextualização da notícia oferecidos pelo meio. E o hiperlink “Blog: Patrícia C. Mello faz o Diário da Guerra de Obama” possibilita ao internauta a condição de interatividade, considerando que no blog da correspondente do Estadão em Washington, Patrícia C. Mello, o internauta pode comentar nos posts da correspondente e se comunicar com a mesma. É importante ressaltar que o assunto da matéria se enquadra no critério de noticiabilidade conflitos e guerras estabelecidos por Natali (2006) e que a Internet oferece aos receptores de informação maior facilidade de interatividade do que os impressos, lembrando que essa interatividade não acontece apenas no exemplo dado em que o internauta é direcionado a um blog, mas também que o internauta pode comentar em todas as notícias do portal estadao.com.br e ainda pode enviar a notícia por e-mail a um outro usuário da rede.








A matéria “Governo chinês diz que executará culpados por 156 mortes em protestos” do dia 8 de julho, assim como tantas outras publicadas na editoria Mundo do portal Folha Online, apresenta ao fim da página vários recursos de interatividade disponíveis ao internauta, em que ele pode acessar o Twitter, o Delicious, o Windows Live, o MySpace, o Facebook, o Digg e o Google e estabelecer um relação interativa com outros usuários da rede, podendo enviar a matéria para outros usuários, comentá-la, entre outros desejos do internauta. É importante ressaltar que o assunto da matéria se enquadra no critério de noticiabilidade conflitos e guerras estabelecidos por Natali (2006) e é abordada com maior possibilidade de interatividade na Internet do que no jornal impresso.










2) Instantaneidade de atualização das notícias


A matéria da editoria Internacional do portal estadao.com.br “EUA revogam 4 vistos diplomáticos do governo de Honduras” do dia 28 de julho, às 15h14, comprova a instantaneidade de atualização das notícias na Internet, considerando que a notícia só saiu no impresso no dia 29 de julho com o título “EUA revogam visto de quatro hondurenhos envolvidos em golpe”, ou seja, só chegou aos leitores um dia após o acontecido, podendo-se assim afirmar que a Internet é mais adequada no sentido de informar em tempo real. No dia 28 de julho, o portal atualizou o assunto Honduras 17 vezes. O assunto da notícia referente ao golpe hondurenho se enquadra ao critério de noticiabilidade de Natali (2006) que considera como notícia internacional eleições em países vizinhos. Lembrando que o golpe de Estado ocorreu após a tentativa de Manuel Zelaya de fazer um plebiscito em Honduras com o objetivo de se reeleger.








A matéria da editoria Internacional do portal estadao.com.br “Queda de helicóptero mata quatro pessoas nos Estados Unidos” do dia 24 de julho que foi publicada às 9h57 e relata a queda de um helicóptero que caiu em uma estrada no Estado americano de Maryland e causou a morte de seus quatro ocupantes na noite de quinta-feira, 23, comprova a instantaneidade de atualização das notícias na Internet, considerando que nenhuma nota ou reportagem foi publicada no impresso. Esse acontecimento foi noticiado apenas na Internet e portanto os receptores de informação que não acessaram o portal não foram informados sobre o fato. O assunto dessa notícia se enquadra no critério de noticiabilidade de Natali (2006) que considera tragédias inesperadas como notícia internacional e foi melhor atentida pela Internet que a publicou em um intervalo de tempo relativamente pequeno, enquanto o impresso nem a publicou.





A matéria da editoria Internacional do portal estadao.com.br do dia 23 de julho “Incêndios se alastram na Espanha e provocam quinta morte”, que foi noticiada às 9h54, comprova a instantaneidade de atualização das notícias na Internet, considerando que que nenhuma nota ou reportagem foi publicada no impresso do dia 24 de julho. O assunto dessa notícia se enquadra no critério de noticiabilidade de Natali (2006) que considera tragédias inesperadas como notícia internacional e ainda a quantidade de indivíduos envolvidos que também a torna noticiável. É possível afirmar que o ineditismo do fato é bem atendido na Internet que traz em pouco tempo detalhes da tragédia, número de vítimas, quem são essas vítimas entre outros detalhes.





A matéria “Deputados escolhem conservador polonês para presidir Parlamento Europeu” foi o destaque na editoria Mundo do portal Folha Online durante toda a manhã do dia 14 de julho. Sua publicação às 7h19 na Folha Online comprova a instantaneidade de atualização das notícias na Internet, que foi publicada logo após votação no parlamento europeu. Já no impresso a matéria sobre o mesmo assunto entitulada “Polonês é eleito presidente do Parlamento Europeu” foi publicada apenas na Folha de S. Paulo do dia 15 de julho, ou seja, um dia após a decisão do parlamento. O assunto dessa notícia se enquadra no critério de noticiabilidade de Natali (2006) que considera eleições como notícia internacional.





A matéria “Honduras suspende toque de recolher”, que foi o principal destaque da editoria Mundo da Folha Online no dia 13 de julho, assim como a principal do impresso do mesmo dia, foi postada no portal às 4h30, ainda de madrugada, logo após o governo interino de Honduras ter suspendido o toque de recolher noturno, que estava em vigor desde que o presidente eleito, Manuel Zelaya, foi retirado do poder, no início de julho.





No impresso ela foi publicada ainda no dia 13, mas não com a mesma instantaneidade de atualização possibilitada pela Internet, já que o jornal só chega as mãos dos leiotres pela manhã e ela já podia ser acessada no portal de madrugada. O assunto da notícia referente ao golpe hondurenho se enquadra ao critério de noticiabilidade de Natali (2006) que considera como notícia internacional eleições em países vizinhos. Lembrando que o golpe de Estado foi desencadeado após a tentativa de Manuel Zelaya de fazer um plebiscito em Honduras com o objetivo de se reeleger.





A matéria do portal Folha Online “Enchentes matam ao menos 19 pessoas no Vietnã; há desaparecidos” foi postada no dia 5 de julho, às 22h36 e permaneceu como destaque na editoria durante todo o dia 6 de julho. Enquanto na Internet, ou seja, no portal Folha Online a notícia foi publicada instantaneamente ao ocorrido, dando detalhes ao internauta de quantos morreram ou desapareceram nesse fim de semana de julho devido às inundações e deslizamentos de terra no Vietnã, a Folha não publicou nem uma nota sobre o fato nem no dia 5, nem no dia 6 de julho. O assunto dessa notícia se enquadra no critério de noticiabilidade de Natali (2006) que considera tragédias inesperadas como notícia internacional e ainda ao de quantidade de indivíduos envolvidos que também a torna noticiável.







3) Multimidialidade


Um dos destaques da editoria Internacional do portal estadao.com.br, no dia 30 de julho, às 15h50 foi a matéria “Polícia faz Mousavi deixar ato e prende manifestantes no Irã”. No portal a matéria contém vídeo, o que revela a multimidialidade do meio. O vídeo mostra ao internauta momentos reais da polícia iraniana impedindo que o líder da oposição, Mir Hossein Mousavi, participasse de uma cerimônia em homenagem aos mortos em atos violentos ocorridos em protestos contra os resultados da eleição presidencial que havia ocorrido em junho deste ano.



Clique aqui para ver o vídeo

Já O Estado de S. Paulo do dia 30 de julho traz apenas uma nota sobre o assunto, de três parágrafos, sem nenhuma possibilidade de multimidialidade. Lembrando que a presença do vídeo oferece ao receptor maior proximidade com a veracidade da informação. O assunto da notícia referente as consequências das eleições no Irã se enquadra no critério de noticiabilidade de Natali (2006) que considera eleições como notícia internacional.
Um dos destaques da editoria Internacional do portal estadao.com.br, no dia 29 de julho, às 18h20 foi a matéria “Carro-bomba da ETA deixa mais de 60 feridos na Espanha”. No portal a matéria contém o hiperlink “Veja também: Fotos: Galeria de imagem” que apresenta oito fotos do atentado, que não foram publicadas no impresso e oferecem ao internauta detalhes do fato.



Clique aqui para ver as fotos na galeria de imagens

As fotos das agências Reuters e A.P. retratam oficiais da polícia e paramédicos analisando destroços do carro-bomba que explodiu em Burgos, na Espanha, oficiais da polícia e bombeiros retirando os destroços do prédio após a explosão, cratera no chão formada pelo ataque que foi atribuído ao grupo separatista ETA, danos gerados dentro do prédio onde o carro explodiu, bombeiros investigando danos nos prédios ao redor do que sofreu atentado, entre outras.





O assunto dessa notícia se enquadra no critério de noticiabilidade de Natali (2006) que considera tragédias inesperadas como notícia internacional e ainda no critério de Wainberg que explica que a cobertura do jornalismo internacional focada na violência justifica-se pelo desejo de agregar valor dramático à crônica diária do mundo, assim como já foi explicado anteriormente nesse presente trabalho. O alto número de mortos, feridos e principalmente feridos inocentes nos atos terroristas permite a editoria internacional a produção de espetáculos graves, surpreendentes e inesperados.
A matéria “Avião iraniano tentava pouso de emergência em chamas, diz Irã” foi um dos principais desataques da editoria Internacional do portal estadao.com.br dia 15 de julho durante toda tarde. Essa matéria foi publicada no portal no dia 15 enquanto a matéria sobre o mesmo assunto de título “Queda de avião mata 168 no Irã” foi publicada no impresso apenas no dia 16 de julho, o que revela maior instantaneidade da Internet em relação ao impresso. A matéria do portal estadao.com.br apresenta quatro hiperlinks que direcionam o internauta a áudios, fotos e infografias animadas.





Um deles é o hiperlink “Fotos: Galeria de imagens do acidente”, que apresenta fotos das agências Reuters que foram exclusivas no portal, como de documentos de identidade em meio aos destroços do avião que caiu no Irã, de pessoas vasculhando destroços do avião a fim de encontrar objetos, de objetos pessoais dos passageiros, de policiais pedindo para que curiosos não se aproximem dos destroços, de parentes chegando a lista de passageiros no aeroporto de Yerevan, entre outras.



Veja as fotos do acidente

Outro hiperlink foi o “Imagens do local do acidente (no Youtube)”, que direcionam o internauta a um vídeo que aproxima o receptor da informação da realidade do fato e ainda os hiperlinks “Cronologia dos piores acidentes aéreos do mundo” e “Cronologia das tragédias da aviação brasileira” que apresentam ao intenauta infográficos com animações. Essa matéria é um exemplo que reúne várias ferramentas e caracterizam a multimidialidade do meio. O assunto dessa notícia se enquadra no critério de noticiabilidade de Natali (2006) que considera tragédias inesperadas como notícia internacional e ainda a quantidade de indivíduos envolvidos que também a torna noticiável.







4) Hipertextualidade


A matéria da editoria Internacional do portal estadao.com.br “EUA revogam 4 vistos diplomáticos do governo de Honduras” do dia 28 de julho possui sete hiperlinks que orientam o internauta a matérias paralelas e à áudios, como a matéria “Congresso de Honduras adia debate sobre anistia de Zelaya” e o áudio “Enviado do ‘Estado’ comenta manifestações pró-Zelaya em Honduras”. Essa relação com outras matérias que dizem respeito ao mesmo assunto e áudios complementam as informações oferecidas ao internauta e comprovam a hipertextualidade presente na Internet que não ocorre nos impressos. Lembrando que nessas matérias paralelas existem ainda mais links que acabam por constituir um hipertexto, ou seja, um texto não seqüencial com enlaces que são controlados pelo leitor, um texto interativo, multilinear, que não tem uma sequência fixa, já que essa varia de acordo com as diferentes leituras e os diferentes desejos dos internautas. O assunto da notícia referente ao golpe hondurenho se enquadra ao critério de noticiabilidade de Natali (2006) que considera como notícia internacional eleições em países vizinhos.





A matéria da editoria Internacional do portal estadao.com.br “Líder deposto acampa na fronteira” do dia 25 de julho apresenta o hiperlink “Mais informações: especial sobre mandatos esticados” que direciona o internauta a um infográfico que mostra que, no cerne da crise em Honduras, o recurso de ampliação de mandato é praticado na maioria dos países latinos. Enquanto isso, no impresso a matéria contém apenas uma foto e não agrega ao leitor informações inéditas e adicionais como a do infográfico disponível na internet. Essa notícia do dia 25 de julho comprova ainda a instantaneidade de atualização das notícias na Internet, considerando que a notícia “Zelaya acampanha na fronteira” só saiu no impresso no dia 26 de julho. O assunto da notícia referente ao golpe hondurenho se enquadra ao critério de noticiabilidade de Natali (2006) que considera como notícia internacional eleições em países vizinhos.








No dia 24 de julho, a matéria de destaque na editoria Internacional do Estado de S. Paulo foi “Zelaya inicia retorno a Honduras”, ela foi exclusiva na editoria do jornal, mas a matéria paralela “Zelaya faz primeira escala da caravana de regresso a Honduras” foi destaque na editoria do portal www.estadao.com.br durante toda a tarde. Ela apresenta três hiperlinks: “Honduras: Forças Armadas não se responsabilizarão por Zelaya”, “Após fracasso no diálogo, Zelaya inicia novo retorno a Honduras” e “EUA e OEA fazem apelo a Zelaya e Micheletti para acordo”. Essa relação com outras matérias complementam as informações oferecidas ao internauta e comprovam a hipertextualidade presente na Internet que não ocorre nos impressos, além de oferecer ao receptor da informação maior aprofundamento e contextualização do fato. O assunto da notícia referente ao golpe hondurenho se enquadra ao critério de noticiabilidade de Natali (2006) que considera como notícia internacional eleições em países vizinhos.





Um importante destaque da editoria Internacional no portal www.estadao.com.br, no dia 17 de julho, às 17 horas foi “Rafsanjani pede pela libertação de detidos em protestos no Irã”, que possui seis hiperlinks que orientam o internauta a matérias paralelas, como “Polícia iraniana volta a reprimir protestos” e retrospectos sobre o assunto, como “O histórico de tensões no Irã” e “O programa nuclear do Irã”. Esses hiperlinks complementam as informações oferecidas ao internauta e comprovam a hipertextualidade presente na Internet que não ocorre nos impressos. Lembrando que nessas matérias paralelas existem ainda mais links que acabam por constituir um hipertexto, ou seja, um texto não seqüencial com enlaces que são controlados pelo leitor, um texto interativo, multilinear, que não tem uma sequência fixa, já que essa varia de acordo com as diferentes leituras e os diferentes desejos dos internautas.







5)Aprofundamento e contextualização


A matéria da editoria Internacional do portal estadao.com.br “País comprará vacina para 2010” do dia 23 de julho apresenta o hiperlink “Acompanhe as últimas notícias da pandemia” que orienta o leitor a outra editoria do portal a Vida &, com versal especial “Gripe Suína” que oferece várias matérias ao internauta sobre a doença que se alastrou rapidamente no mundo no mês de julho, como “Ministros se reúnem na OPS para analisar doenças como H1N1” e “Monja beneditina usa web para combater vacina contra H1N1”. Além da hipertextualidade que possibilita a construção de um hipertexto, ou seja, um texto não seqüencial com enlaces que são controlados pelo leitor, há um aprofundamento e uma melhor contextualização do assunto na Internet do que nos impressos, considerando que em poucos acessos o internauta se informa sobre o início da pandemia, ou seja os antecedentes do fato, as possíveis conseqüências que a doença pode causar no mundo, e enfim a uma sequência de matérias sobre o assunto, ou seja, as suítes. É importante ressaltar que o assunto da matéria se enquadra no critério pandemia ou epidemia, estabelecido por Natali (2006) e enquanto os impressos trazem cerca de três matérias por dia sobre o assunto, a Internet disponibiliza diariamente uma infinidade de matérias sobre a pandemia, inclusive em outras editorias que complementam as disponíveis na editoria Internacional.








A principal matéria da editoria Internacional do Estado de S. Paulo “Sem acordo, pressão sobre governo golpista de Honduras se amplia” do dia 21 de julho também foi o principal destaque da editoria do portal www.estadao.com.br no dia 21 de julho. O hiperlink “Acompanhe online a negociação sobre a crise política em Honduras” presente na notícia publicada no portal direciona o internauta a cerca de oito matérias paralelas e suítes permitindo assim maior aprofundamento e contextualização do assunto. Dentre esses hiperlinks há um que fala sobre Honduras, a história do país, dados como população, território, PIB, IDH, entre outros, de título “Ficha técnica: Honduras, um país pobre e dependente dos EUA”, outro hiperlink que favorece a contextualziação do assunto é “Eleito pela direita, Zelaya fez governo à esquerda em Honduras”, que traça um perfil do presidente deposto em Honduras. Lembrando que o assunto da notícia referente ao golpe hondurenho se enquadra ao critério de noticiabilidade de Natali (2006) que considera como notícia internacional eleições em países vizinhos, a Internet possibilita grande aprofundamento e contextualização do assunto, já que disponibiliza hiperlinks com informações básicas sobre o assunto que são informações sobre o país envolvido e o presidente deposto.





A matéria da editoria Internacional do portal estadao.com.br “Violência marca eleição afegã” do dia 20 de julho apresenta os hiperlinks “Campanha tem 3 fortes candidatos”, “Em Cabul, estrangeiros vivem cercados e com medo da morte” e “Patrícia Campos Mello faz o diário do conflito no Afeganistão em seu blog” que além de comprovar a hipertextualidade presente na Internet que não ocorre nos impressos, permite maior apronfudamento e contextualização do assunto tratado, lembrando que o acesso a antecedentes do fato, as suas possíveis conseqüências e enfim a uma sequência de matérias sobre o assunto, ou seja, as suítes, é facilmente e rapidamente permitido em um só acesso ao portal.





A matéria “Governo golpista de Honduras recruta dupla ligada aos Clinton” foi o principal destaque da editoria Mundo da Folha Online durante todo o dia 14 de julho assim como no impresso. A matéria apresenta quatro hiperlinks que possibilitam maior aprofundamento e contextualização do fato. Os hiperlinks “Entenda a crise política existente em Honduras” e “Golpe em Honduras repete roteiro do século 20” oferecem ao internauta antecedentes do fato, e os hiperlinks “Sem apoio do partido Zelaya espera reação popular” e “Veterano, Micheletti chega à presidência após golpe” são matérias paralelas e suítes que revelam as conseqüências do fato. O assunto da notícia referente ao golpe hondurenho se enquadra ao critério de noticiabilidade de Natali (2006) que considera como notícia internacional eleições em países vizinhos.





A matéria “Governo chinês diz que maioria das 184 vítimas de protestos são Hans” que foi publicada na editoria Mundo da Folha Online do dia 10 de julho apresenta dois importantes hiperlinks que ajudam o internauta a entender a profundidade do assunto, ou seja os conflitos étnicos na China, e contextualizam melhor o fato.





O hiperlink “Leia a cronologia dos conflitos com uigures no oeste da China” direciona o internauta a uma cronologia sobre os conflitos que começa em 1933 e vai até 2008.





E o hiperlink “Saiba mais sobre os conflitos com mulçumanos na China” explica com detalhes, porém sem análise dos fatos, quais são as etnias envolvidas no conflito, o histórico delas e ainda os motivos que geram a violência étnica. É importante ressaltar que o assunto da matéria se enquadra no critério de noticiabilidade conflitos e guerras estabelecidos por Natali (2006) e sua complexidade é melhor atendida na Internet do que nos impressos que acabam por trazer diarimente cerca de três notícias com os principais fatos do dia relacionados ao conflito étnico na China mas acaba por não oferecer ao leitor informações da trajetória desse conflito entre etnias que já se extende por muitos anos é que é muito importante para o melhor entendimento da situação.