domingo, 22 de novembro de 2009

Exemplos da editoria Internacional e Mundo e as categorias de análise


1) Interatividade


Em 6 de julho de 2009, um dos destaques do portal estadão.com.br era uma foto com chamada para reportagem sobre os conflitos entre as etnias hans e uigur na China. Em acesso às 13h23 essa imagem já era destaque e no impresso Estadão do mesmo dia não havia nada sobre o tema.





A notícia “Pelo menos 156 morrem em protestos de muçulmanos na China” foi avaliada com a nota três por 42 internautas. Concomitantemente, a notícia “Zelaya é impedido de pousar em Tegucigalpa e vai para a Nicarágua”, que foi publicada no Estadão e estava reproduzida no portal como “Versão Impressa” foi avaliada por apenas um internauta. A notícia referente à China possui um link que direciona para a reportagem intitulada “Xinjiang, a região muçulmana que incomoda Pequim”, foi avaliada com a nota quatro por 393 internautas.





A Internet possibilita que as informações se espalhem muito mais rápido, por meio de ferramentas que garantem interatividade entre o usuário e o meio. No portal Folha Online, todas as notícias possuem o serviço Compartilhe, que reúne links de várias redes sociais, como Twiter, Myspace Facebook, dentre outras, para que o internauta publique determinada notícia em sua rede social. Dessa forma, a partir de uma ação de um usuário, a informação chega a vários outros usuários, que podem ler uma notícia da Folha Online sem ter acessado o portal.
Até o dia 15 de novembro de 2009, o tema Honduras já havia recebido 4482 comentários dos internautas na Folha Online. Todos os comentários sobre o assunto ficam disponíveis em todas as notícias referentes ao tema, em ordem cronológica. Assim, o internauta pode saber o que outros usuários estão pensando sobre o assunto e interagir com eles, avaliando o comentário.


2) Instantaneidade de atualização das notícias


Em 1 de julho de 2009, a principal reportagem que o jornal O Estado de São Paulo trouxe foi sobre o golpe hondurenho, intitulada “Zelaya anuncia retorno a Honduras”. Na reportagem, o presidente deposto Manuel Zelaya anunciava a sua volta ao país, tendo apoio da Organização dos Estados Americanos. No portal estadão.com.br, na mesma data, às 19h55, a reportagem que o impresso trouxe já estava atualizada com a notícia “Líder interino de Honduras diz que não negociará com OEA”, que trazia a informação de que Roberto Micheletti afirmou à Agência France Presse que não negociaria o retorno de Zelaya.





O assunto das notícias referentes ao golpe hondurenho podem ser classificadas dentro do critério de noticiabilidade de Natali (2006) que considera como notícia internacional eleições em países vizinhos. Como se sabe, o golpe foi desencadeado após a tentativa de Zelaya fazer um plebiscito com o objetivo de se reeleger. Também pode ser feita referência ao critério de proximidade geográfica, já que Honduras localiza-se na América Central, relativamente próximo ao Brasil. Uma crise acarretada por um golpe de Estado em um país tem novidades em todo momento. Sendo assim, é necessário que as notícias sejam atualizadas constantemente, e isso é permitido pela Internet. O tema golpe hondurenho teve 21 atualizações no dia primeiro de julho de 2009, sendo que a primeira aconteceu à 1h57 e a última às 20h42. Já no dia 5 de julho de 2009, foram 29 atualizações: a primeira à 1h54 e a última às 23h43.
A notícia “Pelo menos 156 morrem em protestos de muçulmanos na China”, foi publicada no estadão.com.br em 6 de julho de 2009 às 4h40. Às 14h52 o texto foi atualizado.
Em 8 de julho de 2009, o assunto Honduras foi atualizado no estadão.com.br 18 vezes, sendo que a primeira atualização foi à 1h56 e a últimas às 21h12.
Em 9 de julho, o portal estadão.com.br trouxe, às 7h11, a notícia “Lula presenteia Obama com camisa da seleção”. A notícia esteve na página principal do portal durante toda a manhã do dia 9 e esteve também na página principal da editoria Internacional. A notícia priorizava a foto de Lula e Obama segurando uma camisa autografada da seleção brasileira de futebol, com o presidente norte-americano fazendo uma feição cômica. O impresso trouxe a foto apenas no dia seguinte, em 10 de julho, quando a notícia foi capa do Estadão.





A notícia “China proíbe abertura de mesquitas em Urumqi”, publicada no portal estadão.com.br em 10 de julho de 2009 às 7h54 teve seu texto atualizado às 12h15. Às 11h25 do mesmo dia, houve uma atualização no estadão.com.br com a notícia “Após pressões, mesquitas em Urumqi são abertas”. O Estadão trouxe as duas notícias, de que as mesquitas estariam fechadas e de que elas foram abertas, apenas no dia 11 de julho. A polêmica girou em torno de sexta-feira ser o dia em que as orações mais importantes para os islâmicos devem ser realizadas nas mesquitas, em horários específicos. Como uma forma de pressionar, o governo chinês proibiu a abertura das mesquitas. Já que essa decisão do governo não foi anunciada com antecedência, por exemplo, no dia anterior, somente a Internet pôde fornecer a informação do fechamento das mesquitas em tempo real. Assim, por volta das 8h da manhã, o portal já trazia uma informação mais atualizada do que o impresso.
Em 15 de julho de 2009, o portal Folha Online deu, às 6h23, a notícia sobre a queda de um avião no Irã, com título “Avião de passageiros cai no Irã com ao menos 150 pessoas a bordo”. No jornal Folha de S. Paulo do dia 15, não havia nenhuma notícia sobre o acidente. Segundo informações da reportagem, o avião caiu às 11h33, 4h de Brasília. Apenas 2h23 minutos depois, o portal já noticiava o acontecimento, que está dentro do critério de tragédia inesperada, e, portanto, não poderia ser previsto para que a redação do impresso atualizasse os jornais antes de sua distribuição, considerando que as edições impressas são finalizadas por volta das 20h.





Em casos como esse, é perceptível a vantagem do meio Internet. No dia 15, a Folha Online atualizou o assunto 12 vezes. As informações das notícias sobre o acidente, publicadas no portal no dia 15, foram sintetizadas em uma reportagem do impresso do dia 16 de julho, com título “Queda de avião com destino à Armênia mata 168 pessoas no Irã”.
Em 20 de julho, o portal Folha Online atualizou o tema Honduras 9 vezes. A primeira atualização foi à 1h25 e a última atualização foi feita às 21h54.
Em 24 de julho de 2009, a Folha de S. Paulo publicou a reportagem “No volante, Zelaya parte rumo a Honduras”. O portal publicou, às 7h42, a notícia “Com guerrilheiros da Nicarágua, Zelaya inicia retorno a Honduras”. Após a publicação dessa notícia, o portal acompanhou toda a trajetória de Zelaya rumo a Honduras, e fez mais 21 atualizações, com notícias trazendo todas as novidades. A última notícia foi publicada às 21h37.


3) Multimidialidade


A reportagem “Chefe da OEA chega a Honduras e deve se reunir com mediadores” do jornal O Estado de São Paulo, do dia 3 de julho de 2009, está reproduzida no portal, identificada como Versão Impressa. No portal, no meio da matéria, tem vários links que direcionam para reportagens e podcasts que ajudam a contextualizar as informações contidas nesta notícia sobre o golpe hondurenho.






Um dos podcasts contidos nessa reportagem traz comentários de Gustavo Chacra, enviado especial do Estadão à Tegucigalpa, sobre a tensão política em Honduras. Além desse podcats, a notícia faz link com mais três. A necessidade de complementar a cobertura de uma crise em país com áudios pode ser justificada. Já é, para o jornal impresso, um privilégio ter um correspondente ou um enviado especial no país onde está acontecendo o conflito. No entanto, ele não será um diferencial se não trouxer algo além do que as agências de notícias enviariam. Assim, o papel do correspondente e do enviado é mandar para os jornais um material complementar, que pode ser uma entrevista ou, como denominou José Eduardo Barella, editor de Internacional do Estadão, uma “sacada”. Essa sacada seria algo que apenas uma pessoa que está no lugar pode perceber, sentindo o clima local e ouvindo comentários na rua, por exemplo. Dividir a experiência de estar no local naquele momento pode ser possibilitado por um vídeo ou uma gravação em áudio. E é justamente isso que faz o enviado Gustavo Chacra.



Escute aqui o podcast de Gustavo Chacra

A notícia “Pelo menos 156 morrem em protestos de muçulmanos na China”, publicada no estadão.com.br em 6 de julho de 2009, possui link para um vídeo do Youtube com os protestos na China.



Clique aqui para assistir o vídeo

O tema, os conflitos entre as etnias chinesas uigur e hans, enquadra-se no critério que define guerras e conflitos como notícia para a editoria internacional. Conflitos e guerras acarretam imagens que chocam e que uma reportagem não consegue transmitir por meio de fotos, que acabam por focar em um momento específico. Assim, é de grande relevância que seja possível transmitir imagens em vídeo de um conflito.
A reportagem “Juiz do Supremo acena com anistia” foi publicada no portal estadão.com.br e no impresso Estadão em 8 de julho de 2009. O texto, de Gustavo Chacra, enviado especial a Tegucigalpa, fala sobre as possibilidade de o governo de facto de Honduras conceder a anistia ao presidente deposto, Manuel Zelaya. No portal, há um link para um podcast, no qual Gustavo Chacra comenta a tensão política em Honduras. No impresso, não há espaço para comentários pessoais do repórter, exceto nas seções de artigos e opinião, ainda assim com espaço limitado. O podcast foi postado em 7 de julho de 2009.


4) Hipertextualidade


A principal reportagem do Estado de São Paulo de 2 de julho de 2009 foi “Destroços salvaram passageira de Airbus”. No portal, as notícias relacionadas ao assunto estavam recheadas de links direcionando para outras matérias. Por exemplo, a notícia “Única sobrevivente da queda de avião no Índico encontra o pai”, possui vários links de meio de texto, como “Inspeção havia detectado defeitos em avião que caiu, diz ministro francês” e “Principais acidentes com aviões da Airbus desde 1990”. Esses links, por sua vez, também possuem links que direcionam para outras matérias, formando uma rede hipertextual.








O acidente da Yemenia Air se encaixa no critério de Natali de tragédia. Uma tragédia, como a queda de um avião, pede contextualizações, como mapas, explicações da área onde o avião caiu, explicações das possíveis causas. A rede hipertextual da Internet possibilita que todos os assuntos sejam integrados em uma notícia principal.
Em 7 de julho de 2009, o Estadão trouxe a reportagem “EUA se recusam a receber enviados do governo de facto hondurenho” na capa do caderno Internacional. A reportagem, que está disponível no portal estadão.com.br como Versão Impressa, tem uma retranca: “Golpistas não sobreviverão a isolamento, prevê Amorim” e matéria paralela: “Grupos pró e contra Zelaya inflam números de protestos”. Tanto a retranca quanto a matéria paralela estão disponíveis no portal e o internauta tem acesso a elas por meio de links que estão na reportagem principal. Além desses links, há também mais dois, que direcionam para as matérias “Golpistas não sobreviverão a isolamento, prevê Amorim” e “Impedido de voltar a Honduras, Zelaya se reunirá com Hillary”. Esta última matéria também possui vários links, que direcionam para outras matérias, podcasts, galerias de fotos e especiais.
Em 12 de julho de 2009, o portal estadão.com.br traz a notícia “Confrontos entre etnias chinesas deixaram 1680 feridos”. A notícia tem um link de meio de texto que direciona para a reportagem “Migração mudou perfil de Xinjiang”, que foi publicada no jornal impresso do dia.
Em 14 de julho de 2009, o Estadão trouxe a reportagem “Juíza indicada por Obama enfrenta ceticismo republicano no Congresso”. Dentro da reportagem, que estava disponível também no portal, há uma fala de Sonia Sotomayor em que ela se diz uma “latina sábia”. Essa fala da juíza gerou polêmicas e ela foi acusada de preconceito. Às 12h17 o estadão.com.br publicou a notícia “Sonia Sotomayor defende-se de afirmação sobre ‘latina sábia’”. Essa reportagem tem um link de meio de texto, que direciona para um perfil da hispânica Sonia Sotomayor.





No texto do perfil, por sua vez, há um link direcionando para uma notícia antiga, intitulada “Obama indica juíza hispânica para Suprema Corte dos EUA”, publicada em 26 de maio de 2009. Uma notícia do dia 14 de julho de 2009, que inclusive atualizava informações do jornal impresso, dá ao internauta a possibilidade de acessar uma notícia publicada há quase dois meses.







5) Aprofundamento e contextualização


No impresso, o espaço é limitado, já que os repórteres têm um número exato de caracteres para fechar o seu texto. Assim, fica difícil dar ao leitor informações complementares que não seja a notícia imediata. Na Internet, devido à sua característica de memória ilimitada, o espaço é muito maior, chegando a ser infinito. Uma notícia internacional, por exemplo, a crise em Honduras, muitas vezes desperta no leitor algumas curiosidades sobre o país, que não está sempre na mídia. Há também aquele leitor que não lê sempre o jornal e que não está informado sobre o golpe hondurenho. Esse leitor, se ler a reportagem “Justiça de Honduras rejeita pedido da OEA; Zelaya adia retorno ao país”, publicada no Estadão em 4 de julho de 2009, pode não entender o contexto. Se for acessada a mesma notícia, porém no portal estadão.com.br, o internauta terá acesso a notícia imediata e a várias informações complementares, que não estão no impresso. Um exemplo é o link “Entenda a origem da crise política em Honduras”, que direciona para um texto que explica a crise desde seu início.





Há também o link “Honduras, um país pobre e dependente dos EUA”, que direciona para um texto que apresenta o país.





Além disso, há vários podcasts, com áudios de especialistas e professores que analisam e comentam a situação hondurenha. Uma crise em um país estrangeiro desperta mais curiosidades complementares do que uma crise que acontece dentro do próprio país. O link que apresenta o país, por exemplo, seria desnecessário na editoria Nacional.
No dia 13 de julho de 2009, o jornal Estadão deu destaque à reportagem “Vice de Bush ordenou que CIA ocultasse plano do Congresso”, que fala sobre um plano antiterrorista que estava sendo desenvolvido pela CIA desde 2001, após o ataque às Torres Gêmeas em Nova York, e que foi escondido do Congresso. No entanto, essa notícia não teve matérias paralelas no impresso, com contextualizações e análises do fato. Já no portal, o internauta teve acesso a várias matérias paralelas, que o impresso não trouxe, e que contextualizam bem a notícia, tais como: “Bin Laden diz que Obama segue os passos de Bush”, “Na África, Obama pede democracia e fim da corrupção” e “Viagens de líder exibem face dos EUA multilaterais”. Essas três matérias estavam disponíveis por meio de links localizados abaixo da manchete para a reportagem “Vice de Bush escondeu programa antiterror da CIA”, na página principal de Internacional no estadão.com.br, em acesso em 12 de julho de 2009, às 19h36.





Em 19 de julho de 2009, o portal Folha Online trouxe a notícia “Aiatolá critica opositor por dizer que governo do Irã depende do povo”. A reportagem possui links de meio de texto que direcionam para reportagens que ajudam a compreender a notícia por meio de contextualização, por exemplo, o link “Conheça os indícios de suposta fraude na eleição”, que direciona para a notícia “Sem provas de fraude, especialistas apontam indícios de manipulação no Irã”, publicada em junho de 2009. Além de links que contextualizam melhor, há também, no meio da notícia de 19 de julho, links que aprofundam o assunto, como o link “Golpe e revolução marcam o último século no Irã”, que direciona para a notícia “Golpe, ditadura e revolução marcam história do Irã no século XX”, publicada em junho de 2009. Essa notícia traz, além de um pequeno texto introdutório, uma apresentação em flash que fala sobre a história do Irã no século XX. No impresso, em 18 de julho, o tema teve apenas uma reportagem, intitulada “Clérigo opositor desafia líder supremo do Irã”. Em 19 de julho, a Folha de S. Paulo não trouxe nenhuma reportagem sobre o assunto.


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