domingo, 22 de novembro de 2009

A editoria Internacional

O acidente que matou a princesa Diana, em 1996, é um exemplo de notícia que se encaixa no critério de tragédia inesperada, e que pode ser classificado como notícia internacional.



A editoria Internacional no Estado de S. Paulo existe desde que o jornal foi criado, em 1875. Fabbri (2002) cita as principais manchetes que o jornal apresentou em sua trajetória e se pode destacar que várias delas foram de notícias referentes à editoria Internacional. De 76 manchetes listadas pelo autor, 40 são de Internacional. Já no livro Páginas da História: uma coletânea das primeiras páginas do Estado nos seus 125 anos de história (2000), 45% das manchetes são de internacional, por exemplo, “A bolsa de Nova York registrou hontem um formidável desastre financeiro”, em 25 de outubro de 1929 e “Começou a guerra na Europa”, em primeiro de setembro de 1939. Sendo assim, pode-se afirmar que a editoria Internacional sempre teve grande relevância dentro do jornal.



Capa do jornal que noticiou o crash da bolsa de Nova York, em 1929



Capa do jornal de 1939, que noticiou o início da Segunda Guerra Mundial


Há diferenças entre o jornalismo internacional produzido no início do século passado e o que foi produzido a partir do final do século XX e é até hoje. Segundo dados concedidos por José Eduardo Barella, editor de Internacional do Estadão, nos momentos iniciais do jornal, sobretudo antes das redações serem informatizadas, o correspondente executava um trabalho muito importante, já que ele tinha acesso a informações que um redator da sede não tinha. Com o advento das redes informatizadas e da Internet, o correspondente passou a desempenhar uma função complementar: ele não traz mais o hardnews básico, mas sim um complemento, por exemplo, uma entrevista exclusiva. Além disso, o editor ressalta que nos primeiros momentos a cobertura diária era feita por correspondentes e enviados fixos em países de Primeiro Mundo e atualmente essa cobertura é mais participativa, já que os redatores e repórteres têm a possibilidade de entrevistar fontes do exterior por e-mail e as empresas investem mais em viagens para cobertura de eventos internacionais, sobretudo na América Latina.
A estrutura interna da editoria no jornal O Estado de S. Paulo é composta por um editor, um subeditor e dois editores assistentes. Além desse grupo, que é responsável por fechar as matérias e decidir quais serão publicadas, há o chefe de reportagem, que define as pautas do dia, tanto para os redatores locais quanto para os correspondentes. Os redatores ou repórteres são cinco e cada um fica responsável por cobrir uma região do mundo. Há ainda um plantonista, que chega às 17h e permanece até à 1h, atualizando o material produzido pela equipe. O jornal possui correspondentes em Washington, Nova York, Paris (lá, o jornal também mantém o articulista Gilles Lapouge), Genebra, Buenos Aires e Pequim.
O processo de produção das reportagens começa com a reunião de pauta. Conforme explicou Barella, às segundas feiras acontece uma reunião especial apenas entre a equipe da editoria, da qual participa também a editora de Internacional do portal, com o objetivo de definir as pautas que entrarão no jornal de domingo, que, segundo o editor, é a edição da semana que traz matérias mais aprofundadas. O chefe de reportagem também participa de uma reunião com os chefes de reportagem das outras editorias. Às 12h30 acontece uma reunião apenas entre os editores para consolidar as pautas que foram discutidas ao longo da manhã. Mais tarde, os editores se reúnem novamente para definir as manchetes que entrarão na primeira página da editoria.
Para produzir as reportagens, a editoria Internacional vale-se do material enviado por correspondentes e, principalmente, das informações que chegam das agências de notícias. O Estadão recebe material da Reuters, da AP, da AFP e da EFE. Barella afirma que a agência a qual o jornal atribui maior confiabilidade é a Reuters.
A editoria Internacional do jornal impresso O Estado de S. Paulo geralmente possui de três a quatro páginas. A exceção acontece aos domingos, quando a editoria chega a ter sete páginas. Nesse dia da semana, as reportagens são maiores e mais aprofundadas. Além das reportagens, a editoria também possui as seções No Mundo e + , as quais trazem pequenas notícias que não valeram reportagens mas que merecem ser publicadas. Há também textos de articulistas e artigos de opinião retirados de jornais estrangeiros como The New York Times e The Guardian. Como uma tentativa de integrar o conteúdo impresso e o conteúdo da web, há sempre indicação de complementos de determinada reportagem na web. Uma outra proposta nesse sentido, citada por Barella, é a criação de um blog específico da editoria do impresso, Radar Global, que ainda está em fase de experimentação.
Na Internet, a editoria Internacional surgiu no final dos anos 1990, por meio de boletins BBS. Apenas em 2004, segundo Barella, com a modernização do estadao.com.br, é que a editoria Internacional surgiu no portal. A equipe de Internacional do portal é bem pequena e composta por apenas dois redatores, que são um editor e um estagiário. Um redator fica na parte da manhã e redige a maior parte do webnoticiário. Sua mesa fica situada ao lado da editoria Internacional do impresso, o que garante uma relação bem estreita entre as duas equipes. O segundo redator faz a cobertura vespertina. Assim como já foi comentado, um dos redatores participa da reunião de pauta da editoria no impresso às segundas feiras. De acordo com o que fica decidido, a equipe de Internacional do portal fica com a função de produzir gráficos, galerias de imagens e demais complementos para serem postados na web à medida que as reportagens especiais são publicadas no impresso, conforme explicou Talita Eredia, editora de Internacional do portal. Talita ainda afirma que para produzir as notícias postadas no portal, são aproveitados os materiais enviados pelos correspondentes do jornal O Estado de S. Paulo e dos correspondentes da Agência Estado (alocados Washington, Londres e Buenos Aires). A atualização das notícias da web é feita por um robô, quando são postados textos integrais das agências noticiosas. No entanto, segundo Talita, quando são notícias produzidas pelos redatores ou por correspondentes, as matérias são postadas manualmente na medida em que ficam prontas.
A editoria Internacional no estadao.com.br possui o mesmo layout das outras editorias no portal. A primeira manchete que se vê assim que a página de Internacional é acessada é da principal notícia do dia até aquele momento. Em tamanho um pouco menor, há, geralmente, mais seis manchetes. Ao lado e abaixo dessas manchetes sempre existe uma imagem, também de algum assunto de destaque. Há também o box Últimas Notícias, com links para notícias que são constantemente atualizadas. Há, ainda, chamadas para os blogs do estadao.com.br que abordam assuntos internacionais. E, bem ao final da página, localiza-se uma coluna horizontal com uma galeria de fotos, que direciona para a página do serviço Fotos, mas na página de Internacional estão reunidas só as imagens de assuntos da editoria. Ao acessar alguma notícia, o texto geralmente virá acompanhado de links que direcionam para notícias relacionadas, especiais, podcasts ou vídeos. A notícia também terá o espaço para comentários dos internautas e um espaço para que o usuário avalie a notícia, atribuindo-lhe uma nota de um a cinco. Todos os votos ficam contabilizados. Quando o texto foi retirado do jornal impresso, ele fica identificado como “Versão Impressa” e quando foi produzido pela equipe online ou postado automaticamente, fica identificado como “Online”.

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