
O jornal O Estado de São Paulo surgiu em 1875, em uma época quando predominavam ideais abolicionistas e republicanos, conforme explicou Cléber Sebastião Fabbri (2002). Segundo o autor, o jornal foi criado por um grupo de revolucionários que lutavam pela liberdade democrática. Informações disponíveis no portal estadao.com.br contam que o grupo de 16 pessoas que fundou o jornal foi liderado por Manoel Ferraz de Campos Salles e Américo Brasiliense, como resultado de uma proposta surgida na Convenção Republicana de Itu, que sugeria a criação de um diário republicano como forma de liberdade de expressão para aqueles que estavam insatisfeitos com a monarquia e a escravidão. Nessa época, São Paulo era uma cidade que contava com pouco mais de 30 mil habitantes, e possuía mais dois jornais de notável circulação: o Correio Paulistano e o Diário de São Paulo, fundados, respectivamente, em 1854 e 1865, e ambos extintos atualmente.
Em 4 de janeiro de 1875 começava a circular o jornal A Província de São Paulo. De acordo o relatório corporativo de 2007 do grupo Estado, a primeira edição de A Província possuía quatro páginas e 2025 exemplares. Fabbri (2002) afirma que nesse momento a venda dos jornais era feita apenas por assinaturas ou nas redações. A venda de jornais avulsa começou apenas em 1876, e era feita pelo francês Bernard Gregoire, que acabou se tornando figura folclórica na cidade.
A Província era um jornal de oposição e por isso sofria dificuldades financeiras. Foi só em 1884 que Júlio Mesquita entrou na sociedade que mantinha o jornal e fez várias inovações, por exemplo, a contratação da agência internacional de notícias Havas, o que tornou o jornal mais ágil e atual, e consequentemente mais atraente para os leitores. Em 1889, um mês e meio após a proclamação da república, A Província de São Paulo passa a se chamar O Estado de São Paulo, o que significou, segundo Fabbri, uma vitória para os ideais republicanos dos fundadores do jornal. Nesse período, o jornal já circulava com uma tiragem de oito mil exemplares, de acordo com dados disponíveis no portal estadao.com.br. Em 1891, Júlio Mesquita tornou-se diretor do jornal, assumindo o cargo que era de Rangel Pestana, e em 1902, o jornal torna-se propriedade integral da família Mesquita.

Em 1897, durante a Guerra de Canudos, o Estado de São Paulo inova mais uma vez mandando um correspondente ao sertão nordestino para fazer uma cobertura especial da guerra. Os relatos publicados no jornal com a assinatura do repórter Euclides da Cunha ganharam grande visibilidade e foram reunidos na sua notável obra Os Sertões.
Segundo Fabbri, por volta de 1907, o jornal chega à tiragem diária de 35 mil exemplares, com uma média de 16 a 20 páginas. Em 1915, outra novidade é introduzida por Júlio Mesquita: o lançamento do Estadinho, uma versão vespertina do jornal e que circulou até 1921 sob a direção de Júlio Mesquita Filho, de acordo com o relatório corporativo de 2007 do grupo Estado. Ainda durante as primeiras décadas do século XX, pode-se destacar a cobertura feita pelo jornal da Primeira Guerra Mundial, quando Júlio Mesquita publicou boletins e artigos semanais com análises feitas por ele sobre o conflito. Esse material pode ser encontrado hoje no livro A Guerra, publicado em 2002 por Ruy Mesquita, neto de Júlio.
O jornal já nasceu como um veículo de oposição. Após a proclamação da república, o grupo de fundadores sentiu-se vitorioso, mas continuou lutando por ideais que não eram respeitados pelo Estado, como o voto livre, já que na época vigorava o sistema eleitoral que ficou pejorativamente conhecido como “bico-de-pena”. Segundo Fabbri, em 1909, durante o período eleitoral, o Estado de São Paulo apoiou o candidato da oposição, Ruy Barbosa. Foi nesse contexto que o jornal ficou conhecido como resistente e opositor em prol da liberdade. Assim, em 1924, Júlio Mesquita foi preso durante a revolução paulista de 1924, e morreu três anos depois. Após a morte do primeiro Mesquita, assumiram a direção seus filhos Júlio de Mesquita Filho e Francisco Mesquita e Armando Salles Oliveira.
Sob nova direção, o jornal continuou se opondo ao governo vigente. Em 1932, apoiou a articulação da Revolução Constitucionalista, que questionava as reformas não realizadas prometidas por Getúlio Vargas, que assumira a presidência em 1930. Devido a isso, alguns diretores e vários redatores foram mandados para exílio em Portugal. Segundo o relatório corporativo de 2007 do grupo Estado, eles só retornaram em 1933, quando Armando Salles Oliveira foi convidado por Vargas para ser interventor federal em São Paulo. Salles Oliveira impôs como condição para aceitar o convite a anistia dos outros diretores do Estado de São Paulo.

Júlio Mesquita Filho foi preso mais 17 vezes na década de 1930. Em 1940, ele estava exilado em Buenos Aires, quando recebeu a notícia de que o jornal havia sido ocupado pela polícia. O jornal ficou, então, cinco anos sob intervenção militar. Fabbri explica que o pretexto dado pela polícia para invadir e manter a vigilância no jornal era porque havia armas escondidas no prédio e afirma que esse período da história é rejeitado pelo jornal.
Após o Golpe Militar de 1964, a imprensa brasileira viveu um período caracterizado pela ditadura. O Estado de São Paulo sofreu duras intervenções durante esse período. Em 13 de dezembro de 1968 o jornal foi proibido de circular. A proibição aconteceu após a publicação de um editorial assinado por Júlio Mesquita Filho intitulado “Instituições em frangalhos”. A partir de então, todos os textos do jornal passavam pela censura.
Censores ficavam nas redações vigiando os textos que seriam publicados. Quando os textos eram censurados, o Estadão utilizava um expediente curioso e engenhoso. No lugar da matéria vetada, eram publicados trechos do clássico da literatura portuguesa “Os Lusíadas”, de Luís de Camões. (FABBRI, 2002, p. 71)
No final de 1969, assume a direção do jornal Júlio Mesquita Neto, após o falecimento de Júlio Mesquita filho, em 4 de julho, e de Francisco Mesquita, em 8 de novembro, ambos no último ano da década de 1960. No começo da gestão de Mesquita Neto, em 1970, é fundada a Agência Estado, a primeira agência de notícias do país, especializada em fornecer informações para o mercado financeiro. Nessa época, o Grupo Estado já era constituído pelo jornal O Estado de São Paulo, a rádio Eldorado (criada em 1958) e o Jornal da Tarde (criado em 1965).
Em 1984, o Grupo Estado passa por uma mudança significativa. A empresa, que era caracterizada pelo modelo de gestão familiar, contrata empresários para assumir a administração do grupo. Fabbri explica que o motivo que impulsionou a família Mesquita a tomar essa decisão foi a situação financeira da empresa, que após o conturbado período da ditadura, estava em condições ruins. Ainda na década de 1980, de acordo com Fabbri, o jornal passa por novas mudanças: a criação do Caderno 2 coincidiu com a reformulação do projeto gráfico do jornal, que ganhou uma aparência mais moderna.
Ruy Mesquita assumiu a direção do grupo em 1996, após o falecimento de seu irmão, Júlio Mesquita Neto. Segundo Lourival San´Anna (2008), em 2003 a família Mesquita recuou ainda mais na direção da empresa, concentrando-se apenas no Conselho Administrativo. Ruy Mesquita é a exceção, já que até hoje permanece no cargo de diretor-responsável e responde pela opinião do jornal. Atualmente, a sede do grupo está localizada no bairro do Limão, em São Paulo.
O jornal O Estado de São Paulo, cuja periodicidade é diária, possui oito editorias fixas, mas diariamente traz um ou mais cadernos suplementares. As editorias fixas são: Nacional, Opinião, Internacional, Vida& (as quatro em um mesmo caderno), Economia, Cidades, Esportes e Caderno 2 (as quatro últimas em cadernos individuais). Os suplementos são: Agrícola (quarta-feira), Paladar (quinta-feira), Aliás: a semana revista (domingo), Feminino (domingo), Tv & Lazer (domingo), Link (segunda-feira), Viagem & Aventura (terça-feira), Estadinho (sábado) e Ponto Edu (terça-feira).
Em março do ano 2000 surge o portal estadao.com.br, como resultado de uma fusão dos sites da Agência Estado e dos jornais O Estado de São Paulo e Jornal da Tarde. Segundo o relatório corporativo de 2008 do grupo Estado, é por meio do portal que o jornal O Estado de São Paulo torna-se verdadeiramente multimídia, multiplataforma e assume uma posição denominada web first, que significa que as notícias divulgadas pela equipe de jornalismo do grupo Estado estarão na web primeiro.
Em 2007, o portal passa por uma reformulação de seu layout, que lhe permite maior interatividade com os internautas, conforme foi divulgado no relatório corporativo de 2008. A partir de então, no estadão.com.br, o leitor tem acesso a algum conteúdo do jornal impresso e às notícias em tempo real, além de ter a possibilidade de interagir com o Estadão por meio de blogs, fóruns, enquetes e de deixar comentários em qualquer matéria disponível no portal. O portal também oferece uma série de serviços, tais como: O Estadão Digital, que consiste em uma versão digital do jornal impresso, exclusivo para assinantes, e que foi recentemente introduzido no portal Folha Online; O Estadão de Hoje, que disponibiliza para os internautas as capas de todos os cadernos do jornal impresso do dia, e link para algumas reportagens do impresso que foram disponibilizadas no portal; O Estadão no Desktop, que possibilita que o internauta instale em seu computador widgets, ou seja, pequenas janelas com notícias que ficam visíveis na área de trabalho do computador e que são atualizadas a todo instante; O Estadão no Celular, que permite ao leitor do Estadão ter acesso às notícias pelo celular, por meio de assinatura para receber alertas SMS ou por meio de conexão com a Internet; o Webmail Estadão; o Meu Estadão, que por meio de cadastro gratuito, o internauta monta o seu próprio noticiário, escolhendo assuntos e recursos multimídia de seu interesse; a ferramenta RSS; a previsão do tempo; Especiais, que traz vários conteúdos especiais sobre um determinado assunto, por exemplo, o especial sobre os 20 anos da queda do Muro de Berlim, disponível no portal a partir de novembro de 2009, trouxe para os leitores uma apresentação em flash, um vídeo produzido pela TV Estadão, uma lista com as últimas notícias relacionadas ao tema, uma galeria de imagens e um teste de conhecimentos envolvendo o assunto; o Fotos, que traz as fotografias referentes às últimas notícias divulgadas no portal, além de incluir o serviço Foto Repórter, que convida o leitor a enviar fotografias tiradas por ele para serem publicadas nos veículos do Grupo Estado; o Áudios, que reúne os áudios e podcasts publicados no portal; e a TV Estadão. Todos esses serviços ficam localizados na parte superior do portal, em uma barra horizontal fixa.
O portal possui as mesmas editorias do Estadão. No entanto, os suplementos que são publicados separadamente no jornal impresso, no estadão.com.br estão disponíveis diariamente. Os links que direcionam para as páginas de cada editoria no portal estão localizados em uma coluna horizontal na parte superior da página, e assim como os links para os serviços, descritos acima, são fixos. Cada link de editoria possui subdivisões, com links para os temas recorrentes dentro daquela editoria ou para assuntos que podem auxiliar o internauta a encontrar a informação desejada. Dessa forma, a editoria Opinião tem a subdivisão Fórum dos Leitores; a editoria Nacional tem as subdivisões Política, Questões Sociais, Amazônia e Eleições 2008; a editoria Internacional tem as subdivisões América Latina, EUA e Canadá, Oriente Médio, Europa e Outras regiões; a editoria Vida & tem as subdivisões Ciência, Saúde e Meio Ambiente; a editoria Economia tem as subdivisões Negócios, Broadcast Ao Vivo, Investimentos e Cannes; a editoria Cidades tem as subdivisões São Paulo, Geral, Tempo, Loterias e Megacidades; a editoria Esportes tem as subdivisões Basquete, Brasileirão, Eliminatórias da Copa, Tênis, Velocidade e Vôlei; e a editoria Caderno 2 tem as subdivisões Direto da Fonte (versão online da coluna de Sônia Racy, publicada há 17 anos pelo Estado de São Paulo), Cinema, Música, Variedades e Horóscopo. Os suplementos do jornal impresso (Agrícola, Aliás: a semana revista, Feminino, Tv & Lazer, Viagem & Aventura, Estadinho e Ponto Edu), com exceção de Link e Paladar, são as subdivisões do link Mais Suplementos.
As editorias Link e Paladar possuem links que direcionam para os portais com os mesmos nomes, localizados dentro do portal estadao.com.br. Ao serem visualizados na página principal do estadao.com.br ou nas páginas principais de cada editoria, eles também possuem subdivisões, que são, para a editoria Link: Notícias, Vídeos, Áudios, Blogs, Especiais e Link no Papel, e para a editoria Paladar: Coleção Gourmet, Reportagens, Receitas, Restaurantes, Vinhos, Chefs, Vídeos e Blogs. Segundo o relatório corporativo de 2008 do Grupo Estado, o lançamento do portal Paladar foi a primeira iniciativa de um plano de criar espaços específicos dentro do portal baseados em marcas que o jornal O Estado de São Paulo publica. O segundo, seria o portal Link. A criação dos dois portais é considerada um exemplo, de acordo com o relatório, de convergência papel-digital.
Segundo Lourival Sant´Anna (2008), foi implementado em setembro de 2006 o “mesão”, que se trata de uma reunião entre as principais chefias do Estadão com editores do portal estadão.com.br e responsáveis pela Agência Estado, com o objetivo de produzir matérias especiais para todas as editorias do jornal, integrando as mídias impresso. O chamado Mesão está em vigor desde então, e em maio de 2009 dobrou o seu time de repórteres especiais, que contava com quatro jornalistas, segundo reportagem do portal Comunique-se. O Mesão é mais um exemplo da convergência de mídias dentro do Grupo Estado .
Dados do relatório corporativo de 2008 do Grupo Estado contabilizam em 37.055.367 os visitantes únicos do portal estadao.com.br no período de janeiro a dezembro de 2008. O relatório afirma que o número cresceu 56% com relação ao mesmo período de 2007. Informações obtidas no relatório corporativo de 2007 do Grupo Estado demonstram que o seu público é bem diversificado, com relação a faixa etária: 16% tem até 17 anos, 17% tem de 18 a 25 anos, 22% tem de 26 a 34 anos, 28% tem de 35 a 49 anos e 17% dos usuários do estadao.com.br tem a partir de 50 anos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário